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Futuros soldados da PM participam de capacitação sobre Lei Maria da Penha e Diversidade Sexual



Cerca de 1.200 candidatos aprovados no último concurso da PMCE, participaram do evento, que aconteceu no Centro de Formação Olímpica do Nordeste (CFO)
 
Para capacitar os futuros policiais militares sobre o respeito à diversidade e o atendimento humanizado à população LGBT e as mulheres vítimas de violência, a Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE) realizou nesse sábado (01), seminário sobre Lei Maria da Penha e diversidade sexual para os alunos da 1ª turma do Curso de Formação Profissional para a Carreira de Praças da Polícia Militar do Ceará (CFPPM ? 2017). Cerca de 1.200 candidatos aprovados no último concurso da PMCE, participaram do evento, que aconteceu no Centro de Formação Olímpica do Nordeste (CFO).
 
Sob o comando da titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, delegada Érika Moura, o seminário debateu os mecanismos e a aplicabilidade da Lei Maria da Penha na atividade policial, o fluxo de atendimento na delegacia da mulher, as medidas protetivas de urgência e a Rede de atendimento à mulher vítima de violência na cidade de Fortaleza. Os futuros soldados também receberam orientações sobre o feminicídio, os tipos de violência e a problemática envolvendo questões de gênero.
 
A titular da DDM de Fortaleza, destacou a importância da capacitação dos policiais militares. ?Na maioria das vezes, são esses policiais que fazem o primeiro atendimento às vítimas, então é muito importante fazer essa sensibilização, conscientizá-los dessa problemática para que eles sejam sensíveis e atuem de uma forma acolhedora, para deixar essa vítima cada vez mais a vontade para quebrar esse ciclo de violência?, explicou Érika.
 
Entre as palestrantes, estava a cearense que deu nome à legislação. Apesar da Lei está presente no conteúdo programático de todos os cursos de formação dos agentes de Segurança Pública do Estado do Ceará, esta é a primeira vez que a farmacêutica Maria da Penha, inspiradora da Lei nº 11.340/2006, participa pessoalmente da capacitação dos novos policiais. Acompanhada do repentista Tião Simpatia que, realiza um trabalho de enfretamento à violência doméstica através da arte de cordel, Maria da Penha contou sua história de luta e esclareceu alguns aspectos da legislação. ?Eu fiquei muito feliz, de ter sido convidada para esclarecer esses pontos para essa turma que amanhã vai fazer com que a Lei funcione, e que tem esse compromisso em relação aos casos em que a prisão tem que ser em flagrante?, pontuou Maria da Penha. Ela também falou sobre a aplicação da Lei Maria da Penha em crimes de violência doméstica contra transexuais e travestis. ?Eu acho que tem tudo haver! Porque são mulheres que tem sua afetividade, que tem à sua maneira de ser como mulher e precisam sim, ser protegidos e amparados pela Lei?, declarou a farmacêutica.
 
Para tratar sobre a diversidade sexual e a população LGBT – que inclui lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros – profissionais da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para LGBT do Governo do Estado Ceará realizaram no período da tarde, o seminário ?Formação em Segurança Pública e População LGBT: Respeitando a Diversidade pela Defesa da Dignidade Humana?. A atividade fez parte da programação da Semana da Diversidade Sexual da Coordenadoria LGBT e visa garantir a implementação da Lei Estadual nº 13.833/2006, que assegura a inclusão do conteúdo pedagógico sobre orientação sexual no curso de formação de policiais civis e militares.
 
De acordo com o coordenador Especial de Políticas Públicas para LGBT, Narciso Junior, ampliar o diálogo sobre o tema nas instituições públicas, é uma forma de prevenir a LGBTfobia. ?Algumas especificidades que são necessárias nas abordagens relacionadas à população LGBT, como o respeito e a garantia do uso do nome social, e o respeito à identidade de gênero, principalmente nas mulheres travestis e transexuais, são coisas que a gente entende que se faz necessário debater, não só da polícia, mas em todo o corpo de funcionalismo do Estado… E com certeza essas pessoas que estão saindo daqui hoje vão sair com um olhar diferente e com mais respeito e igualdade com a população LGBT, é isso aí que a gente precisa no nosso Estado, uma polícia acolhedora, humanizada e que respeite todos e todas?, ressaltou Narciso.


 
Os alunos do CFPCPPM, lotados nos municípios de Sobral e Juazeiro do Norte, também participaram de seminários que abordaram as mesmas temáticas. O evento faz parte da matriz curricular do curso e possibilita o estudo e reflexão de temáticas importantes para a formação e humanização dos futuros agentes da segurança pública. Outros temas como Estatuto da criança e do adolescente (Eca); Estatuto do idoso e Prevenção ao uso de drogas, também integrarão o ciclo de seminários, que acontece até o final de julho.

Fotos: Leandro Freire (Ascom Aesp)