Corpo de Bombeiros alerta para o risco de alagamentos e inundações no período chuvoso
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE), por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, alerta a população para o risco de inundações e alagamentos durante o período de chuvas no Estado. Segundo levantamento da Defesa Civil de Fortaleza, mais de 21 mil famílias moram às margens de rios e lagoas ou nas encostas de morros em 89 áreas de risco existentes na Capital. Cerca de 58% dessas pessoas moram nas Regionais V e VI. Para essas pessoas, bem como para qualquer um que se encontre sob ocorrência ou ameaça de inundação, enxurrada ou alagamento, é muito importante saber o que fazer.
Quem passou por uma experiência traumática não esquece. Em abril do ano passado, a família da Dona Lucimar e os moradores da Rua São Sebastião, no bairro Castelão tiveram que abandonar o lar quando as águas do Rio Cocó invadiram dezenas de casas na localidade. "A gente foi pra um abrigo, perto de onde é o colégio [do bairro]. Nós fomos pra lá, uma ruma de gente, passamos duas ou três semanas", lembra a costureira. Se mesmo em anos de baixa intensidade pluviométrica o problema apareceu, neste ano, com as primeiras chuvas mais fortes, a água já voltou a ameaçar. "As minhas coisas já subiram, já tão todas atrepadas (sic), porque já subiram, só com essa chuvinha, dois tijolos de água", relata.
Para não entrar nas estatísticas de vítimas das águas, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, órgão subordinado ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará, recomenda que, em primeiro lugar, é fundamental seguir as orientações de emergência da própria comunidade. Após desligar a chave geral de energia e fechar o registro de água, o órgão aconselha que a população coloque documentos pessoais, objetos de valor, produtos de limpeza e alimentos em local protegido, de preferência elevado. O lixo também deve ser acondicionado fora do alcance da água, em local separado. Outra recomendação importante é não permitir que as pessoas saiam brincando nas águas das ruas ou dos mananciais. Elas podem ser levadas pela correnteza ou acabar contaminadas, contraindo doenças como hepatite e leptospirose. E jamais deixar as crianças trancadas em casa sozinhas. Tanto há o risco de o nível da água continuar subindo, quanto o de o imóvel desabar por desgaste estrutural.
Seguem outras orientações:
– Mantenha sempre pronta água potável, roupa e remédios, caso tenha que sair rápido da sua casa;
– Tenha um lugar seguro previsto (abrigo público, casa de parentes ou amigos), onde você e sua família possam se abrigar/alojar se tiver que sair de casa;
– Conheça o Centro de Saúde mais próximo da sua casa;
– Retire do quintal os móveis e utensílios que possam ser carregados pelas águas;
– Convença as pessoas que moram nas áreas de alto risco a saírem de casa durante as fortes chuvas;
– Não atravesse áreas com correnteza de água, pois poderá ser arrastado, mesmo se estiver de carro.
– Caso precise passar com o veículo automotor por uma área alagada, mantenha distância do veículo à frente, avance em baixa velocidade, mantendo o motor sempre acelerado e acima do nível da água. Se o carro enguiçar, abandone o veículo.
– Avise imediatamente o Corpo de Bombeiros Militar (pelo número 193) e ao órgão municipal de proteção e defesa civil (pelo número 190, em Fortaleza) sobre as áreas afetadas pela inundação e solicite o auxílio necessário. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (número 199 ou 85 98899-1128) também pode ser acionada para prestar apoio ao órgão municipal de proteção e defesa civil.
Após a inundação
– Veja se sua casa não corre o risco de desabar, faça essa análise durante o dia, quando há maior luminosidade. Observe se há trincas nas paredes, emperramento de portas e janelas, bem como rachaduras no solo;
– Raspe toda a lama e o lixo do chão, das paredes, dos móveis e utensílios e coloque o material a ser descartado para a limpeza pública;
– Lave e desinfete as paredes e os objetos que tiveram contato com as águas da inundação (pode-se usar 1 litro de água sanitária para cada 5 litros de água);
– Cuidado com os animais venenosos ao movimentar objetos, móveis e utensílios;
– Certifique-se de que não há fios desencapados antes de religar a eletricidade;
– Não beba água ou coma alimentos que tiveram contato com as águas da inundação.
Em risco ou ocorrência de deslizamento
– Construa calhas e canaletas para escoamento da água da chuva;
– Providencie a colocação de lonas plásticas nas barreiras para dificultar a infiltração da água no solo;
– Se você observar o aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas, inclinação de tronco de árvores, de postes e o surgimento de minas d?água, saia de casa imediatamente e avise ao Corpo de Bombeiros Militar e ao órgão municipal de proteção e defesa civil sobre as áreas afetadas pela inundação e solicite o auxílio necessário. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil também pode ser acionada para prestar apoio ao órgão municipal de proteção e defesa civil.
Após o deslizamento
– Afaste-se e colabore para que curiosos mantenham-se afastados do local do deslizamento; poderão ocorrer novos deslizamentos;
– Não permita que crianças e parentes entrem no local do deslizamento;
– Siga as orientações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.
Definições importantes
Alagamento ? acúmulo momentâneo de águas em determinados locais por deficiência no sistema de drenagem
Inundação ? é o transbordamento das águas de um curso d?água, atingindo a planície de inundação ou área de várzea
Enchente ? elevação do nível d?água no canal de drenagem devido ao aumento da vazão, atingindo a cota máxima do canal, porém, sem extravasar
Enxurrada ? o escoamento superficial concentrado e com alta energia de transporte, que pode ou não estar associado a áreas de domínio dos processos fluviais