Operação da Polícia Civil resulta na apreensão de arsenal com suspeitos de agiotagem

Treze armas de fogo e mais de 400 munições foram apreendidas, na manhã desta sexta-feira (22), durante uma operação realizada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), no município de Brejo Santo ? Área Integrada de Segurança 11 (AIS 11). A ação, que contou com o apoio do Ministério Público, foi efetuada em cumprimento a dois mandados de busca e apreensão. Três homens investigados em crimes de agiotagem foram presos. Entre eles está um médico.
Os presos são: O agricultor Pedro Rocha de Lucena (78); seu filho, Francisco Oliveira de Lucena (50), conhecido como ?Ednaldo Lucena?; e o médico Ricardo de Araújo Leite (56). Nenhum deles possuía antecedentes criminais. Todos foram capturados em suas residências, onde foram cumpridos os mandados e encontrado o material ilícito. O mandado de busca, que tem como alvo as casas de Pedro Rocha e de seu filho, foi representado pela Polícia Civil. Já o mandado contra Ricardo foi representado pelo Ministério Público. As capturas se tratam de dois casos diferentes.
Os três capturados foram levados para a Delegacia Regional de Brejo Santo, onde foram autuados em flagrante com base no Estatuto do Desarmamento. Eles ainda serão indiciados por usura (agiotagem). De acordo com o delegado titular da unidade policial, Bruno Veras, as investigações continuam no sentido de descobrir a origem e destino de uso das armas, bem como de apurar o envolvimento dos presos na agiotagem na região.
Investigações
A operação é o resultado de apurações iniciadas a partir de um homicídio cometido na cidade, em outubro de 2015. A vítima, Antônio Ferreira Silva (59), foi morta a golpes de canivete, em um bar. O crime, que tem ?Ednaldo Lucena? como suspeito, foi motivado por uma discussão por conta de um boné. O infrator e um homem discutiram no estabelecimento sobre o objeto, pois o suspeito o pediu ao homem e não o queria devolver. Mas, o homem pegou o assessório novamente e foi embora.
Antônio Ferreira chegou ao local logo depois e Lucena, que se dizia seu amigo, resolveu lhe contar as circunstâncias da discussão. Mas, a vítima defendeu a outra pessoa e isso irritou Lucena. Os dois discutiram e entraram em luta corporal, sendo separados pelas pessoas que estavam presentes. Então, Lucena foi até seu carro e pegou o canivete usado no delito, desferindo os golpes contra a vítima. Após o delito, o infrator empreendeu fuga. Lucena foi indiciado no inquérito policial sobre o caso, que foi concluído e encaminhado à Justiça.
Antes do homicídio, Francisco Lucena chegou a afirmar para a vítima que quando ela precisava de dinheiro era ao seu pai que procurava, e não ao homem que estava defendendo. Esta afirmação foi um dos pontos que levaram a Polícia a investigar seu envolvimento e o de seu pai na agiotagem. Nas casas deles, os policiais apreenderam dois revólveres calibre 38 e nove espingardas de calibres 12, 36, 32, 20 e de pressão; nove facas; 397 munições de diversos calibres; dez notas promissórias; a quantia de R$ 3.140; apetrechos para recarregar munições; e um notebook. Os imóveis ficam situados no Sítio Cabaceira, zona rural da cidade. Eles alegaram possuir o armamento com fins de caça.
Outro caso
Já no imóvel de Ricardo, na Rua Manoel Inácio Bezerra, Centro, os policiais encontraram um revólver calibre 38 e uma espingarda; 16 munições cal. 38; a quantia de R$ 34.835; dois cheques no valor de R$ 12.500; sete notas promissórias no valor de R$ 7.500 no nome de uma empresa; e eletrônicos como tablet, notebook e computador. De acordo com uma mulher, que seria vítima do suspeito, seu marido solicitou empréstimo ao médico, que passou a cobrar o valor com juros abusivos. Ainda segundo ela, devido à pressão, seu esposo cometeu suicídio. Ricardo é médico ortopedista e tem um consultório na cidade.
