Ciopaer 20 anos: uma mulher pilotando nas forças de segurança do Estado
Pilotar helicóptero, salvar vidas, perseguir criminosos. Uma rotina cheia de emoção. Porém, são poucas as mulheres desempenhando tal função. Na Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a tenente Lívia Marinho de Carvalho Galvão representa o sexo feminino com muita paixão pelo que faz, como a única mulher piloto das forças de segurança do Estado do Ceará. Dividindo as tarefas com os cuidados com a recém-nascida filha Pietra, Lívia almeja alçar voos cada vez mais altos dentro da Coordenadoria. Confira a entrevista completa:
Lívia, conte um pouco sobre o seu início na Polícia Militar.
Para ingressar na Polícia Militar, fazemos Concurso Público, com provas teóricas, práticas, psicológicas e, com a admissão, passamos por um curso preparatório de três anos, em que entramos como cadetes. Entrei em 2006 e, seis meses após a posse, fui promovida a tenente. Conheci a Ciopaer durante a Academia, interessei-me e apaixonei-me pelas aeronaves. Eu já havia voado de avião, mas de helicóptero e pilotando, não. Fiz os cursos obrigatórios para pilotar e hoje estou aqui, como co-piloto da Ciopaer, e trabalho também administrativamente junto com a escala de voo.
Como as pessoas reagem por você, uma mulher, exercer uma profissão em sua maioria desempenhada por homens?
Particularmente, sou orgulhosa de mim mesma por estar aqui, exercendo algo que me agrada. Na parte familiar, todos têm admiração. E a população também vê com bons olhos, porque não é comum. Eu sou a única na Ciopaer. Nas cidades onde vamos, quando pousamos, as pessoas se admiram por ser uma mulher.
O que mudou na sua vida após entrar para a Ciopaer?
Mudou muito. É uma nova profissão, além de policial, sou piloto, uma função ímpar. Posso dizer que mudou tudo. Cada missão é um aprendizado e a gente evolui profissionalmente, pois não é só a população depende de você, mas a sua própria vida e a da tripulação. É gratificante estar aqui!
Quais foram as experiências mais marcantes atuando pela Ciopaer?
Posso dizer que não tenho uma em particular que foi mais marcante. Quando a sirene toca nos convocando para uma missão, corremos para aeronave, nos informamos sobre qual tipo de ocorrência se trata. Nessa hora, estamos com adrenalina a mil para solucionar o problema, seja uma vítima se afogando, um carro roubado com perseguição, um resgate a vítima presa em ferragens. Não tem uma que marca mais, todas marcam.
Quais seus planos na Ciopaer?
Na Ciopaer, sempre temos como crescer. Eu estou apenas começando, engatinhando. Há aeronaves que ainda quero pilotar, há cursos a serem feitos. Isso é o que eu quero, sempre adquirindo novos conhecimentos.
Você recentemente foi mãe. Isso de alguma forma a fez repensar a sua profissão, já que ela é de risco?
Se pensar que é uma profissão de risco, estou em um mato sem cachorro, pois sou policial e piloto de helicóptero. Profissão perigo é a minha. Mas vou aprender com a minha filha e ela vai aprender comigo a confiar em Deus, que é o que nos move e, enquanto estivermos aqui, é a mão Dele que está sobre nós.
Você acredita que as mulheres estão ganhando mais espaço nas forças de segurança do Estado?
De um modo geral, sim. Tanto que nos concursos públicos tem aumentado a procura das mulheres e a oportunidade está aí. Estamos chegando, abrindo caminhos e conquistando espaços.
O que a Ciopaer representa para você?
A Ciopaer é muito importante na minha vida. É onde me realizo como profissional e conquisto minha independência. Hoje, muitas pessoas procuram emprego e eu posso dizer que tenho um que me realiza e me satisfaz.