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?Crack, é possível vencer? registra queda de 27% nas mortes violentas em comunidades atendidas

Lançado em Fortaleza em abril de 2014, o Programa ?Crack, é possível? vencer vem apresentando resultados positivos na segurança pública da Capital cearense. O programa possui bases de operação instaladas nos bairros Genibaú, Conjunto São Miguel – dividido entre o Alagadiço Novo e Messejana – e Vicente Pinzon. Comparado a 2013, o ano passado refletiu uma diminuição de 27,8% de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) nestes bairros.

As reduções foram nos crimes de homicídio, latrocínio e lesões seguidas de morte. Entre as pessoas que mais se beneficiaram com o Programa, estão os moradores do bairro Alagadiço Novo e Messejana. Nos dois bairros, as ocorrências de mortes violentas reduziram, respectivamente, 81%, passando de 21, em 2013, para quatro (04), no passado, e 35%, caindo de 55 para 36. A base do São Miguel fica dividida entre os dois locais, na Área Interada de Segurança 4 (AIS 4).

No Genibaú, as ocorrências reduziram 25% em 2014, passando de 57 para 43. Todos os números foram comparados a 2013. A comunidade está situada na Área Integrada de Segurança 2 (AIS 2). Já o Vicente Pinzon, pertencente à AIS 3, a queda foi de 2%, de 50 para 49.

Sob os eixos de prevenção, cuidado e autoridade, o ?Crack, é Possível Vencer? funciona em uma parceria entre a União, o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza e se utiliza de ferramentas tecnológicas e de acompanhamento policial para inibir ações criminosas, além de prestar assistência aos moradores. As bases do Programa estão situadas em pontos de Fortaleza considerados críticos.

A tecnologia é aproveitada com a instalação de câmeras de monitoramento. A assistência à comunidade se faz com o acolhimento de dependentes químicos que buscam reabilitação e do acompanhamento de familiares de vítimas de homicídio e de mulheres vítimas de violência doméstica, através do Grupo de Apoio à Vítima de Violência (GAVV).

A base do Programa é móvel e fica alojada em um ponto fixo da comunidade. Os moradores têm acesso ao equipamento, bem como aos policiais que dão apoio, 24 horas por dia. Atreladas à base existem duas viaturas e duas motos com policiais realizando abordagens e esclarecimentos aos cidadãos, orientando-os com informações sobre os serviços prestados pelo Programa. Ao todo, 119 agentes atuam nas três bases, com o objetivo de estabelecer um referencial de autoridade.


Vítimas de violência doméstica são beneficiadas pelo projeto Ronda Maria da Penha


As mulheres que são vítimas de violência doméstica em Fortaleza ganharam um reforço a mais para que suas medidas protetivas sejam cumpridas devidamente. Trata-se do Ronda Maria da Penha, lançado no último dia 11. O projeto faz parte do novo contexto que vem sendo desenvolvido pelo Batalhão de Policiamento Comunitário (BPCom), de aproximação com a comunidade.

O Ronda Maria da Penha é desenvolvido por meio do Grupo de Apoio de Vítimas de Violência (GAVV) e executado por policiais que atuam nas bases do ?Crack, é Possível Vencer?. O projeto é desenvolvido por meio de visitas às vítimas das agressões domésticas, oferecendo-lhes assistência e o cumprimento das medidas protetivas. Cerca de 60 mulheres estão sendo beneficiadas nas três comunidades ? São Miguel, Genibaú e Vicente Pizón, onde o projeto piloto está sendo desenvolvido. Contudo, a tendência é que o projeto esteja presente em toda a capital cearense. Após as visitas, são feitos relatórios sobre as situações observadas. A partir do contato inicial, se define a frenquência das visitas.

Dependentes procuram a Polícia para vencer vício

?Crack, é possível vencer. Mas, como??. Com esta indagação, no último dia 12, um dependente químico se direcionou a uma das Bases do Programa ?Crack, é possível vencer?, localizado no bairro Vicente Pinzon, com o intuito de descobrir como poderia vencer o vício em drogas.

Com 34 anos, casado e com filhos, o homem, de iniciais F.B.S.F, é micro-empreendedor e atua no ramo alimentício. Ao perceber que o vício pelos entorpecentes estava adquirindo um espaço maior em sua vida, ao ponto de quase perdê-la, ele decidiu vencer as drogas. Só não sabia como.

Ele conta que o uso de drogas começou aos 17 anos de idade, quando passou a ingerir bebida alcoólica. Em seguida, veio o cigarro e outros entorpecentes como o crack. Do uso, passou para a venda. ?A droga faz da pessoa um rei. Você não precisa fazer mais nada. Se você tem drogas, existem pessoas ao seu dispor?. Para ele, esta atividade proporciona prestígio e acaba facilitando a permanência na prática.

Ao assistir um jornal na TV, F.B.S.F. tomou conhecimento da Base do Programa ?Crack, é Possível Vencer?, no Vicente Pinzón – Área Integrada de Segurança 3 (AIS 3) de Fortaleza – e foi ao local. Lá, foi recebido pelos policiais que realizam o trabalho na área e encaminhado a um dos três Centros de Referência do Governo do Estado do Ceará. ?A expectativa é a transformação total. Estou disposto a tudo para conseguir isto. Quando a gente vê que não tem mais saída, tem que pedir ajuda, procurar mudança e tomar iniciativa?, afirma.

Outro caso

Outro dependente químico, de iniciais R.M.C.S, de 39 anos, também se direcionou a uma das bases do ?Crack, é possível vencer?, no intuito de encontrar apoio para sua reabilitação. Ele é catador de material reclicável e afirma gastar aproximadamente R$ 30,00 por dia para sustentar o vício.

R.M.C.S iniciou a dependência de entorpecentes pela maconha. Já chegou a usar drogas por seis dias ininterruptos, quando desembolsou R$ 15 mil de uma herança. A compulsão pelos entorpecentes o fizeram pensar várias vezes em suicídio. Ao procurar os policiais que atuam no Programa, o homem foi prontamente acolhido e encaminhado para o internamento.

Assim como estes dois homens, outras pessoas têm procurado auxílio no programa. Quarenta e cinco pessoas já procuraram alguma das três bases policiais em busca de ajuda. O Capitão da Polícia Militar, Messias Mendes, responsável pelo Programa, conta que, ao chegar à base, a pessoa é acolhida por policiais e encaminhada a um dos Centros de Referencia do Governo. O tratamento consiste em uma internação que pode durar até nove meses. Durante o processo, os pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar.