Entre lembranças de Trepinha e Muriçoca, Selma Santiago, nova diretora do TJA, realizou primeira reunião com os servidores

Uma encontro de informalidade, bom-humor, muita emoção e várias lembranças, nos jardins do Theatro José de Alencar. Assim foi a primeira reunião de Selma Santiago, nova diretora do TJA, com os servidores da casa, realizada nesta sexta-feira, 27/3, Dia Mundial do Teatro, com a presença da ex-diretora, Izabel Gurgel, da diretora administrativa Silêda Franklin, do secretário adjunto da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos, e de servidores de todos os setores do José de Alencar.
Sob a sombra das árvores, os servidores cumprimentaram Selma Santiago e lhe deram as boas-vindas, desejando sucesso na nova empreitada e agradecendo a Izabel Gurgel, que dirigiu o Theatro desde 2007, por toda a contribuição à mais tradicional e simbólica casa de artes e espetáculos do Ceará. O encontrou aconteceu sob o olhar de estudantes, fortalezenses e turistas que participavam das visitas guiadas ao Theatro. A passagem de som para o espetáculo de Jessier Quirino, a ser apresentado nesta sexta e neste sábado, também acontecia ao mesmo tempo, reiterando a multiplicidade de atividades no grande complexo do TJA.
“Com a imagem feliz do palhaço Trepinha, que saiu de casa aos 12 anos e que aqui no Theatro inventou uma vida, damos as boas-vindas à Selma, que é uma artista. Além de ser produtora, gestora cultural, é em primeiro lugar uma artista, uma fazedora de coisas bonitas com as coisas duras que às vezes a vida nos oferece”, destacou Izabel.
“Quero lembrar o Palhaço Trepinha, mas a partir dele lembrar a legião de trabalhadores que já passaram por esta casa, como seu Crispim, seu Muriçoca, seu Helder Ramos… É pensando nessas pessoas todas que passaram por aqui e em todas que ainda vão passar que queremos receber a Selma. Como os artistas que estão no palco, que às vezes só têm 45 minutos de cena, e fazem o melhor, põem a vida inteira deles ali”, reforçou Izabel.
Bastante emocionada, a diretora administrativa do TJA, Silêda Franklin, apontou que Selma Santiago é “uma pessoa de diálogo, que conhece o que faz, está preparada para fazer o que veio fazer aqui no Theatro”.
“É uma pessoa que já marcou a história do Ceará, como gestora e estudiosa da cultura. Vamos juntar muitas metas que a gente vai buscar aqui no TJA”, apontou Silêda, agradecendo a Izabel Gurgel como “uma irmã”. “Agradeço a ela o tanto que pude aprender sobre o senso do que é público, de como o Theatro tem que abrir as portas todos os dias”.
Conhecimento e emoção
Secretário adjunto da Secult, Fabiano dos Santos lembrou o sentimento descrito pelo escritor gaúcho Moacyr Scliar, que afirmava só entregar um livro para ser publicado após sentir que conseguia se arrepiar com o próprio texto. “Esse é um elemento fundamental, sobretudo na política pública. Se a gente não conseguisse se emocionar, se arrepiar com o TJA, talvez não fizesse sentido vir todos os dias trabalhar aqui”, disse, lembrando a educadora Luíza de Teodoro.
“Ela diz que o caminho do conhecimento é o amor, que não acredita naquele conhecimento em que as pessoas não se emocionam. O Theatro tem uma história, uma celebração da memória, da história, da experiência, daquilo que nos emociona, nos passa, nos toca, nos atravessa”, frisou Fabiano.
“Então, Selma, assim como foi a experiência da Izabel aqui no Theatro, desejo que para você essa nova experiência possa lhe transformar e que você possa como gestora, junto com a Silêda, pensar nas travessias da arte, da vida, do nosso Estado, porque a gente precisa ter o Ceará chegando aqui, com um Sistema Estadual de Teatros”, complementou. Izabel e Selma receberam flores, em uma homenagem prestada pelos servidores do Theatro.
Lembranças e trajetória
Agradecendo pela acolhida feita pelos servidores, Selma Santiago compartilhou algumas de suas lembranças do Theatro José de Alencar. “A primeira vez que vim aqui eu tinha 18 anos, e a sala da direção ficava embaixo do palco. Vim falar com o Augusto Bonequeiro, que era o diretor, e pedir um lugar pra ensaiar uma peça. E me encantei com o TJA”, relembrou, citando os ensaios para a peça “A Coisa Estranha”, de Edgar Castro.
“Durante nosso ensaio, foi a interrupção pra fazer a reforma do Theatro, aquela de 1991, da Violeta Arraes. Perdemos o lugar para ensaiar, mas ganhamos o Theatro reformado, e eu vinha aqui acompanhar, ver a reforma”, recorda.
“Estreamos o espetáculo, viajamos pra festival e, depois que o Theatro ficou pronto, vim aqui novamente falar com o diretor, que já era o Oswald Barroso. Disse a ele que queria trabalhar no Theatro, e ele, que nem me conhecia, aceitou. E trabalhei com o Oswald até ele sair. Criamos um jornalzinho, ‘O Muriçoca’, e montamos um espetáculo em que eu pisei o palco do teatro novo. Era o meu sonho. Dali me envolvi cada vez mais, fui estudar gestão cultural, o que acontecia por detrás do palco e para além do palco”.
Orgulho pelo TJA
Selma Santiago agradeceu pelo convite recebido do secretário da Cultura do Estado, Guilherme Sampaio, para dirigir o TJA. “Recebi um telefonema do Fabiano, e como é que uma pessoa da minha geração ia negar um convite desses? Tendo feito tanta coisa aqui nesse teatro, eu tinha que aceitar o convite”, frisou, conclamando os servidores a trabalhar “com carinho e coração” para fazer um TJA “do qual a gente possa se orgulhar cada vez mais”.
“Como o Fabiano disse, a gente tem que gostar, se arrepiar, se emocionar. Deixar o coração falar. Se o coração fala quando você faz esse trabalho, você faz bem”, acrescentou, agradecendo novamente pela receptividade e convidando todos os servidores a contribuir com ideias para a gestão do Theatro.
Formação
Selma Santiago é mestre em gestão cultural (pela Universidade de Barcelona e pela Universidade Federal da Bahia), especialista em Gestão de Produtos e Serviços Culturais (pela Universidade Estadual do Ceará), bacharel em Ciências Sociais (pela Universidade de Fortaleza).
Em 2003 e 2004, foi coordenadora de Programação e Formação em Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, tendo também exercido outras funções na Secult, nos anos seguintes. Agora, retorna à Secretaria como diretora do TJA, a convite do secretário da Cultura do Estado do Ceará, Guilherme Sampaio, que tem destacado como diretrizes a afirmação da riqueza da cultura cearense e um maior protagonismo do setor artístico e cultural para o desenvolvimento do Estado.