Arte para celebrar o Dia do Ceará no berço histórico da emancipação, Aquiraz

A Secretaria da Cultura do Estado desenvolveu uma programação especial nesse sábado, Dia do Ceará, para celebrar os 216 anos de autonomia em relação à Capitania de Pernambuco. A primeira capital, Aquiraz, e a atual, Fortaleza, tiveram, ao longo do dia, atividades alusivas à emancipação cearense em equipamentos mantidos pela Secult – Museu do Ceará, Museu Sacro São José de Ribamar, Theatro José de Alencar e Sobrado Dr. José Lourenço.
Em Aquiraz, que foi capital do Ceará durante 27 anos, entre 1699 e 1726, berço histórico da emancipação, a programação se estendeu do Museu Sacro para a amplíssima Praça Cônego Eduardo Araripe e para a Igreja Matriz, espaços bem próximos. “Celebrar em Aquiraz a autonomia do Ceará tem um valor histórico e simbólico extremamente importante para o nosso povo”, afirmou o secretário da Cultura do Estado, Guilherme Sampaio, ao lado do prefeito Fernando Guimarães e do secretário municipal da Cultura, Rodolfo Forte.
Ao cair da tarde, às variadas peças de artesanato em madeira, cerâmica e palha, tipicamente cearenses, expostas à venda na praça, juntou-se uma outra arte para ser contemplada pelos moradores e visitantes da cidade, a música, com as apresentações das bandas municipal e da Polícia Militar. Era a sinalização melodiosa para o início do ponto alto das comemorações em parceria com a Prefeitura de Aquiraz, a solenidade oficial pelo Dia do Ceará.
O próprio secretário municipal, também músico, Rodolfo Forte, presenteou o público ao dedilhar na sanfona o Hino Nacional Brasileiro. Ao fim das festividades, ao assistir à belíssima apresentação da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, quem disse se sentir presenteado com toda a programação foi o secretário estadual, Guilherme Sampaio, em seu primeiro compromisso público à frente da Secretaria da Cultura do Estado.
A orquestra, que há 18 anos se dedica à formação de plateia para a música de concerto, executou peças de Mozart e Beatles e fez uma homenagem ao parceiro de Luiz Gonzaga, o compositor cearense Humberto Teixeira, que completaria 100 anos em 2015. Além de oferecer ao público lindos arranjos para “Juazeiro”, “No meu pé de serra”, “Respeita, Januário”, “Estrada de Canindé”, “Baião” e “Asa Branca”, os músicos ainda se apresentaram em um espaço privilegiado, patrimônio histórico tombado pelo Governo do Estado desde 1983 e agora reformado, a Igreja Matriz, a segunda mais antiga do Ceará, erguida no início do século XVIII e que preserva os admiráveis painéis pintados no forro da capela-mor.
A programação comemorativa dos 216 de emancipação cearense ainda reuniu na praça principal de Aquiraz um grupo de capoeira e representantes dos Jenipapo-Kanindé, que vivem por ali mesmo, às margens da Lagoa da Encantada, e apresentaram o toré, tradicional ritual indígena. Antes, o secretário da Cultura já havia manifestado publicamente o compromisso do Governo do Estado em fazer a interlocução com as diferentes etnias.
Guilherme ressaltou que a autonomia do Ceará é construída cotidianamente, com os diferentes grupos e pelas gerações que nos antecederam, as atuais e as que vão nos suceder. “Reafirmar a nossa autonomia é reconhecer as nossas raízes e o poder de construir um Ceará justo, fraterno, pacífico e de oportunidades”.
Cultura, política estratégica para o desenvolvimento do Ceará
Ao representar em Aquiraz o governador Camilo Santana na programação comemorativa dos 216 anos de emancipação do Ceará, o secretário da Cultura do Estado, Guilherme Sampaio, reassumiu os principais compromissos do plano de governo do novo chefe do Executivo estadual para a área: criar quatro equipamentos culturais no interior, construir 12 escolas de ensino profissionalizante com ênfase na cultura, quintuplicar os recursos para a área e integrar a política cultural com as demais políticas governamentais, principalmente a educação.
Guilherme considera que a cultura será tratada como política estratégica para o desenvolvimento do Ceará e esclareceu que a proposta de elevar para 1,5% do orçamento do Estado os recursos na área da cultura será concretizada gradualmente ao longo dos quatro anos. “Espero que ao fim desse período, nunca mais a gente escute nem afirme que a cultura é a prima pobre do Estado”, manifestou o secretário, apontando que o incremento financeiro para elevar o percentual a tal nível é um desafio político e de gestão. De acordo com a execução orçamentária de 2013, o valor destinado à Secretaria da Cultura, R$ 52.739.782,64, corresponde a 0,34% do total geral de R$ 15.485.606.199,02.
O secretário da Cultura afirmou que pretende fazer com que a Secult tenha uma presença forte não apenas na capital do Estado, mas também no interior. “Vivemos um momento histórico. O governador Camilo Santana dá um status diferenciado à cultura, uma importância muito grande a propostas, projetos e políticas culturais”.
Valorização do Museu Sacro
Depois de visitar o Museu Sacro São José de Ribamar, o secretário da Cultura do Estado, Guilherme Sampaio, defendeu a ampliação e a democratização do acesso aos bens e produtos culturais de Aquiraz, principalmente ao equipamento. Em 2014, o museu recebeu cerca de cinco mil visitantes, número que, na avaliação do secretário, é pequeno para a importância do local.
Primeiro museu sacro instalado no território cearense, no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia de Aquiraz, edificação erguida no fim do século XVIII, o equipamento foi tombado pelo Governo do Estado em 1983 e reúne hoje objetos que chamam a atenção pelo valor artístico, histórico e simbólico. Reconhecendo isso, o secretário assumiu o compromisso de dotar o Museu Sacro de estrutura para melhor conservação das peças e deixar o anexo do prédio em condições mais adequadas.
O Dia do Ceará
O dia 17 de janeiro faz parte do calendário oficial de eventos do Estado por meio da Lei nº 13.470, de 18 de maio de 2004, que instituiu a data comemorativa referenciando o dia em que o Ceará ganhou autonomia da Capitania de Pernambuco, em 1799, tornando-se administrativamente independente. A emancipação do Ceará foi garantida por Carta Régia assinada pela Imperatriz de Portugal, D. Maria I, em virtude do crescimento populacional e econômico que a antiga capitania do Ceará apresentava em 1799.
A lei estadual determina a realização anual de um evento oficial em Aquiraz, primeira capital do Estado, por ocasião da data. Além disso, órgãos e entidades da administração estadual, assim como as escolas da rede pública estadual de ensino, devem promover o Dia do Ceará.