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Theatro José de Alencar: emoções ao cair da tarde com a visita de médicos cubanos

Theatro José de Alencar: emoções ao cair da tarde com a visita de médicos cubanos

Se no dia 17 de cada mês tem sempre uma programação especial no Theatro José de Alencar, por ter sido inaugurado oficialmente em 17 de junho de 1910, a programação ficou ainda mais especial nesse dia 17 de fevereiro de 2014, com a presença de cerca de 200 médicos cubanos. Na última segunda-feira, eles deixaram o Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU), no bairro Castelão, onde estão alojados, em treinamento do Programa Mais Médicos, e foram conhecer um dos mais bonitos teatros do Brasil, numa visita que começou quase às 17 horas e terminou duas horas depois.

“Para nós, é muito importante esse momento, até porque o povo cubano é muito parecido com o povo brasileiro e mais parecido ainda com o povo cearense”, aprovou e comparou o médico Juan Carlos Rojas Fernandez, referindo-se ao espírito festivo de lá e cá. “É muito bom saber um pouquinho mais da cultura brasileira e cearense. Além do mais, fomos muito bem recebidos pelas pessoas e ficamos gratos demais”, completou. “Que vocês se sintam como nós os vemos – ‘hermanos’ – e não como estrangeiros”, saudou a diretora de programação do teatro, Izabel Gurgel.

“É um lugar muito belo, antigo e acolhedor. Os cubanos, hoje, se sentiram muito bem, em um belo lugar e com belas pessoas”, revelou Osnedi Reyes, um dos médicos mais entusiasmados com a beleza do teatro e a recepção dos funcionários. O empenho dos anfitriões em receber bem os visitantes era mesmo indisfarçável. “Essa é uma tarde muito especial para o Theatro José de Alencar. Essa tarde foi muito aguardada e preparada com muito carinho. Nós nos sentimos muito orgulhosos pela presença de vocês”, adiantou logo nas boas-vindas a diretora administrativo-financeira, Silêda Franklin.

Foi um fim de tarde de emoções, desde o deslumbramento diante do monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1964, passando pela delicadeza nas apresentações de piano e baixo no palco principal, até a alegria no pátio com as marchinhas de Carnaval, sambas e – como não deveria deixar de acontecer – a autêntica música cubana, uma homenagem aos visitantes.

Enquanto na grande sala de espetáculos eles puderam apreciar o pianista Douglas Almeida e o baixista Lucas Arruda dedilhando perólas, como Asa Branca, de Luiz Gonzaga, Polichinelo, de Heitor Villa Lobos, e Garota de Ipanema, Wave e Águas de Março, de Tom Jobim, na área aberta do teatro eles foram recebidos com pétalas de flores, confetes, serpentinas e largos sorrisos e tiveram a oportunidade de se soltar e se deixar seduzir também pelo ritmo alegre das músicas do Carnaval tradicional brasileiro.

Quando o grupo de músicos, integrado pelos vocalistas Franklin Dantas, Zelia Nogueira e Cumpade Barbosa e o trompetista Jean Carlos Rodrigues, puxou a célebre canção cubana Guantanamera, o ambiente foi tomado por fortes vibrações. A empolgação foi tanta que os próprios médicos, até então um pouco contidos, não apenas saíram para dançar, como também se revezaram ao microfone para cantar a música eternizada pelo antológico grupo Buena Vista Social Club.

A canção, além de evocar lembranças e saudades da terra natal, fez afluir nos cubanos o sentimento de afeto pelo país que, por enquanto, os adotou. Ao fim de Guantanamera, uma das médicas foi porta-voz dos versos que o grupo compôs em homenagem aos brasileiros. “Desde Cuba nós viemos/ Desde aquele céu de anil/ Para ajudar com carinho/ A esse povo do Brasil”, recitou Estrela Hechavaria, com lágrimas no rosto e sob aplausos dos colegas também emocionados.

Para uma nação que tem como ensinamentos as lições deixadas por Che Guevara, um dos ideólogos e comandantes da Revolução Cubana (1953-1959) e que cunhou a frase “há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura”, os médicos cubanos esbanjam ternura.

250 médicos em treinamento começam a trabalhar em março

Os cerca de 200 médicos que visitaram o Theatro José de Alencar fazem parte de um grupo de 250 que estão em treinamento no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU), em Fortaleza. O treinamento dura entre 20 e 25 dias e envolve o repasse de conhecimentos em língua portuguesa e do Sistema Único de Saúde (SUS). As aulas são dadas de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde.

Após o treinamento, os médicos serão destinados aos locais de trabalho. O Ministério da Saúde ainda está definindo a quantidade de médicos que ficarão no Ceará e os que irão trabalhar em municípios de dois outros estados do Nordeste.

Equipamento em obras de conservação e recuperação

Mesmo em meio a obras de conservação e recuperação desde novembro de 2013, o Theatro José de Alencar recebeu o grupo de 200 médicos cubanos sem nenhuma dificuldade. O equipamento vai manter a programação, de terça-feira a domingo, até o fim dos trabalhos, no segundo semestre de 2014. Como os assentos da sala principal de espetáculos já foram retirados por causa da reforma, os médicos se dividiram pelas torrinhas e um pequeno grupo se acomodou em algumas cadeiras colocadas de última hora bem em frente ao palco. Depois, seguiram para o pátio.

Com R$ 2.338.198,83 assegurados pelo Governo do Estado, o Theatro José de Alencar passará por serviços de recuperação e pintura geral – alvenaria, estruturas de ferro, pisos, portas e janelas -, além da requalificação do jardim e do sistema de prevenção de incêndio.


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