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A arte e o afeto de Estrigas e Nice Firmeza são retratados em exposição no Museu da Cultura Cearense

A arte e o afeto de Estrigas e Nice Firmeza são retratados em exposição no Museu da Cultura Cearense

Nice com suas boas histórias, suas comidas, suas flores, sua generosidade.  Estrigas com sua conversa sobre arte, seu discernimento como crítico e historiador, sua experiência política. Juntos, eles abriram o coração e as portas do sítio no Mondubim para mostrar a história da arte no Ceará a muitos artistas, intelectuais, educadores, estudantes e tantos outros que os visitaram, para quem foram educadores da percepção e da sensibilidade.

Transmitir uma amostra dessa generosidade do casal de artistas é a proposta da exposição “NicEstrigas – Arte e Afeto”, com abertura no dia 19 de setembro, data de aniversário de 94 anos de Estrigas, a partir das 19 horas no Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

“O nome diz muito, ‘arte e afeto’, porque não se pode mostrar a história de Nice e Estrigas sem falar em afetividade”, explica Bené Fonteles, curador da exposição cujo projeto, coordenado por Patrícia Veloso, foi aprovado no IV Edital Mecenas do Ceará e recebeu o apoio cultural da Coelce.

“Eles dedicaram os quase 60 anos de vida juntos a receber as pessoas no sítio no Mondubim, para mostrar o desenvolvimento do processo das artes visuais no Ceará, da pré-história ao contemporâneo, e os trabalhos deles, mas isso não era o principal”, continua o curador. No sítio, onde ainda mora Estrigas, o casal fundou em 1969 o Minimuseu Firmeza.

O projeto da exposição foi iniciado em 2012, como uma homenagem ao casal que tem papel definitivo nas artes plásticas cearenses. Mesmo após o falecimento de Nice, em abril deste ano, teve continuidade com a colaboração direta de Estrigas.

A exposição mostra a diversidade da atuação de Nice e Estrigas: ele como artista, crítico e historiador; ela indo além das pinturas, com os bordados considerados verdadeiras obras de arte. Em torno de tudo isso, a forte relação entre arte e natureza, a consciência ecológica que motiva a preservação de um lugar capaz de reproduzir uma Fortaleza de outrora, como um último reduto de criação e liberdade, de afetividade e entrosamento com o outro.

EM EXPOSIÇÃO

A exposição está dividida em duas galerias do Museu da Cultura Cearense. Na primeira, estão expostas fotos de Nice e Estrigas no sítio e um olhar sobre o casal por outros artistas. A segunda apresenta trajetória da arte produzida por eles, desde o início dos anos 1950 até os trabalhos mais recentes.

O Minimuseu Firmeza e os espaços da residência, como a cozinha e a antessala, estão nas fotografias expostas na primeira galeria. “No fundo, tudo era um minimuseu, mesmo as áreas íntimas da casa. Eles só não abriam espaços como o quarto e o ateliê”, revela o curador. Nessa área o visitante poderá assistir a um vídeo realizado pelo fotógrafo e documentarista Tibico Brasil com depoimentos de Nice e Estrigas, que aparecem também retratados em pinturas do artista Fernando França.

A percepção de colaboradores e amigos está ainda nas diversas obras que mostram tanto a área externa como o ambiente interno do Minimuseu, e nas imagens dos fotógrafos Francisco Sousa, Gentil Barreira e Marcelo Brasileiro, os quais registraram o sítio. “A ideia desse conjunto de imagens de pintura e fotografia é transpor para a galeria o clima desse lugar, para que o visitante, ao entrar na exposição, se sinta no sítio do Mondubim”, detalha Bené Fonteles.

A exposição buscou também levar para o Museu da Cultura Cearense o que estava guardado no Minimuseu Firmeza, incluindo parte do acervo com obras do casal ou de outros autores que os retrataram. “Mostra a afetividade que eles tinham com as pessoas e as pessoas com eles”, afirma o curador.

A “MISSA” DE NICE

A exposição conta com uma reprodução da “Missa” – como Estrigas chama a instalação que ele compôs em um dos recantos do Minimuseu dias após a partida de Nice. O espaço costumava ser dedicado à obra da artista, com pinturas feitas desde o início dos anos 1950 até os anos 2010, além de fotografias e prêmios. Estrigas ampliou a instalação e acrescentou, entre outras peças, uma das camisas bordadas que ela própria usava, na qual marcou o símbolo do seu signo, câncer. A “Missa” reconta a trajetória de Nice como artista, passando pelas várias fases, como a das máscaras, até a mais recente. Lá estão também retratos que Estrigas e outros artistas fizeram da homenageada.

TRAJETÓRIA

A segunda galeria é voltada à trajetória das artes do casal, a partir do começo da década de 1950 até este ano, no caso de Estrigas. São obras pertencentes ao Museu da Universidade Federal do Ceará (MAUC), à Pinacoteca do Estado e a coleções particulares, gentilmente emprestadas por colecionadores.

Dentro desta galeria há uma sala dedicada à obra de Nice Firmeza, com seus bordados, roupas, mandalas – tema que já resultou em uma exposição individual – e arranjos de flores, que fazia diariamente nos próprios canteiros do sítio.

Nesta galeria também estão vitrines com livros de autoria de Estrigas, mostrando a produção intelectual deste artista, que já publicou cerca de 20 livros, em sua maior parte sobre a arte e os artistas do Ceará. No local estão também estudos de bordados de Nice.

“NicEstrigas – Arte e Afeto” , além de apresentar a importância estética do trabalho de Nice e Estrigas, propõe o encontro entre vida e arte, o exercício da afetividade constante e um passeio por esse espaço de liberdade plena. “Só mostrar arte não é história. É arte e vida. Não há separação. Eles propunham isso o tempo inteiro, fazer da vida uma obra de arte”, ressalta Bené Fonteles.

ESTRIGAS E NICE

Nascido em Fortaleza em 1919, Nilo de Brito Firmeza (Estrigas) é pintor e ilustrador. Formado em odontologia, profissão que exerceu e lecionou na área por cerca de 15 anos, Estrigas fez seus primeiros cursos de pintura e desenho em 1950 na Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), onde conheceu Nice, também aluna da SCAP, com quem se casou e viveu por mais de meio século, até o falecimento da artista em 13 de abril de 2013.

Bastante atuante no movimento artístico local e nacional, Estrigas participou de inúmeras exposições e salões de artes e tem obras em acervos particulares e museus Brasil afora. Entre as homenagens que recebeu, destacam-se Medalha do Mérito Cultural, da UFC, Medalha Boticário Ferreira, da Câmara Municipal de Fortaleza, e a Sereia de Ouro, do Grupo Edson Queiroz.

Já publicou cerca de 20 livros, na maior parte sobre a arte e os artistas do Ceará. Entre os quais, “Contribuição ao Reconhecimento de Raimundo Cela” (1988), “A Saga do Pintor Francisco Domingos da Silva” (1988), “Arte: Aspectos Pré-Históricos no Ceará – Uma Contribuição ao Estudo das Artes Plásticas no Ceará” (1989) e “Barrica: O Alquimista da Arte” (1993).

Maria de Castro Firmeza (Nice Firmeza) nasceu em Aracati, no litoral cearense, em 18 de julho de 1921. Na década de 1950 foi a primeira mulher a entrar para a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), como aluna do Curso Livre de Desenho e Pintura e de Iniciação à História da Arte.

A pintura e o bordado à mão marcaram a obra desta artista, que atuava também como arte educadora. Transmitia com alegria seus conhecimentos às crianças, o bordado a um grupo de mulheres e a culinária aos visitantes de sua residência, aos quais regalava com suas receitas criativas.

Crianças, flores e muitas cores eram traços sempre presentes em sua arte, tendo participado de inúmeras exposições no Brasil e no Exterior. Os bordados(verdadeiras obras de arte, que chamava de pintura em linha) renderam uma exposição particular, em 2005, nomeada “Mandalas”. Em 2007 Nice recebeu da Secretaria da Cultura do Estado (Secult) o título de Tesouro Vivo. Nice Firmeza faleceu em 13 de abril de 2013, aos 91 anos.

Em 1969, o casal fundou o Minimuseu Firmeza em seu sítio no Mondubim. Mais de 600 peças compõem o acervo, na maioria de artistas cearenses, entre os quais Vicente Leite, Aldemir Martins, Chico da Silva, Zenon Barreto, Barrica, Mário Barata, Heloisa Juaçaba, Sérvulo Esmeraldo e Hélio Rôla. O acervo possui ainda reproduções, catálogos e livros relacionados às artes no estado do Ceará.

SERVIÇO

“NicEstrigas – Arte e Afeto” Abertura no dia 19 de setembro, às 19 horas no Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – CDMAC (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema). A exposição permanece aberta a visitação até 10 de novembro. Informações: (85) 3261.0525 ewww.dragaodomar.org.br.

SUGESTÃO DE ENTREVISTA

PATRÍCIA VELOSO – coordenação geral: (85) 3261.0525 / 8878.7021

BENÉ FONTELES – curadoria(61) 8350.6100

17/09/2013

DÉGAGÉ

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