Secult publica nota de pesar pela perda do cantor Raimundo Arrais
A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará manifesta pesar e consternamento pela perda do cantor Raimundo Arrais, registrada nesta quarta-feira, 8 de junho, entristecendo todo o Ceará e o cenário musical brasileiro. Uma das vozes que definiram o Ceará, ao lado da eterna companheira Ayla Maria, Raimundo Arrais, que se despediu aos 73 anos, após décadas de dedicação à música, elevou seu timbre de barítono ao contexto maior de nossa identidade como cearenses, em sintonia com aquela definição de cultura que diz que “tudo que sabemos, sabemos entre todos”, que nossa arte se define, se valida e se difunde coletivamente, expressando o que fazemos, o que reconhecemos e, afinal, que somos.
Dono de uma vasta trajetória, sempre generosamente compartilhada com o público, Arrais deu voz a inúmeras canções, temas, pecas clássicas e a óperas como “O Guarani”, de Carlos Gomes, um dos trabalhos definidores da identidade brasileira e reconhecidos em todo o mundo, além de obras como “A Valsa Proibida” e a opereta “Sinharinha”, do genial cearense Paurillo Barroso. A “Valsa” marcou para sempre a historia de nosso Theatro José de Alencar, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceara. Assim como nosso Cineteatro São Luiz, que no ano passado teve a honra de receber Ayla e Arrais, entre outros grandes artistas, no espetáculo “Clássicos Populares – Uma Homenagem à Canção”, emocionando o publico.
Ao mesmo tempo em que se destacava como barítono e inscrevia seu nome na historia das artes cênicas, com atuação em grupos como a Comedia Cearense, foi um dos primeiros a desconstruir as classificações, os muros e as grades que separavam a dita “música séria” da música popular. Virtuoso e obstinado, cantou para os especialistas, mas também para as multidões, contribuindo para a democratização do acesso à música e para o maior acesso popular a obras importantes, de um sem-número de compositores, das mais variadas searas musicais.
Foi assim, por exemplo, no programa “Estúdio A”, que por muitos anos, ao lado de Ayla Maria, apresentou em nossa TV Ceará, emissora pertencente ao Governo do Estado do Ceará, fazendo sua parte na sempre-tarefa da divulgação da música e dos músicos cearenses, com amplo espaço para a revelação de centenas de nomes da nossa cena. Terminada a trajetória do programa, seguiram participando com assiduidade de outras atrações da TVC, como o “Ontem, Hoje e Sempre”, do grande Augusto Borges, mantendo permanente encontro com os espectadores.
Raimundo Arrais nos legou dezenas de discos. Ao lado dos clássicos e eruditos, gênios de nossa música popular, como Pixinguinha, Dolores, Vinicius, Herivelto, sempre encontraram espaço na voz e na sensibilidade de Arrais. Com especial atenção aos cearenses como Lauro Maia, Humberto Teixeira, Aleardo Freitas, Evaldo Gouveia, Raimundo Fagner, entre tantos outros. Outra grande paixão eram os esportes, com especial dedicação ao tricolor de aço, incluindo uma antológica gravação do Hino do Fortaleza esporte Clube.