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Seminário sobre Políticas públicas para a dança do interior abre o 8° Festival de Dança do Litoral Oeste, nesta quinta, 5/5

Seminário sobre Políticas públicas para a dança do interior abre o 8° Festival de Dança do Litoral Oeste, nesta quinta, 5/5



Com um seminário para discutir as “Políticas públicas para a dança do interior: Gestão, Formação e Mercado”, começa nesta quinta-feira, 5 de maio, em Itapipoca, Ceará, o 8° Festival de Dança do Litoral Oeste – Danças Múltiplas, realização da Associação de Artes Cênicas de Itapipoca – AARTI. O Festival acontecerá até sábado, dia 7, com espetáculos e performances. O acesso gratuito é gratuito. O 8° Festival de Dança do Litoral Oeste é uma realização da Coelce e AARTI, numa consultoria executiva da Quitanda das Artes , coprodução WM Cultural, produção da Cênica Difusão e Marketing Cultural e apoio cultural do Governo do Estado através da Secretaria da Cultura (Secult).

O primeiro dia de programação do festival será dedicado ao 1º Seminário de Dança do Litoral Oeste e Vale do Curu, que acontecerá das 9h às 17h no auditório da FACEDI – Faculdade de Educação de Itapipoca (UECE). Para dialogar sobre o tema com a classe artística da região, participam da atividade Rui Moreira (Belo Horizonte/MG – Representante da Dança/FUNARTE), Silvia Moura (Fortaleza/CE) e Alex Santiago (Paracuru/CE).

Após o seminário, acontece o lançamento do livro “Dança Balé Baião, 20 anos em companhia”, do bailarino e coreógrafo Gerson Moreno. Na ocasião, será exibido o vídeo “Na oficina do Seu Zé”, de Cacheado Braga. O documentário revela como se desenvolveram as experimentações corporais no Galpão da Cena de Itapipoca (antiga oficina do Pai de Gerson Moreno, Zé Américo) de agosto de 2014 a fevereiro de 2015, que por sua vez gerou a demonstração técnica “Receitas de baião e outros pratos”. O vídeo também expõe as oficinas ministradas pelos artistas/pesquisadores convidados, que contribuíram com a feitura do livro “Dança Balé Baião: 20 anos em Companhia”. A programação de abertura terá ainda apresentação de performance da Cia. Balé Baião.

O Festival

A diversidade da dança marca o 8° Festival de Dança do Litoral Oeste – Danças Múltiplas. Em cena, dança contemporânea, dança de salão, dança urbana, dança do coco, teatro-dança e performances, interpretados por companhias e artistas convidados. Este é um dos principais eventos de dança do estado do Ceará, propondo-se como ação descentralizadora e democrática de circulação da dança, priorizando, sobretudo, a dança cearense na sua diversidade.

Desde a primeira edição o Festival colabora para dar visibilidade à produção cultural, em especial para fortalecer o segmento da dança e para a democratização do acesso à cultura na Região do Litoral Oeste cearense. Os municípios de Itapipoca, Trairi e Paracuru, que a cada ano se dividem como município-sede do Festival,  desenvolvem há mais de 20 anos ações continuadas e permanentes em dança, no âmbito da formação técnica, pesquisa, criação, montagem, mostra e difusão. O Festival vem se desenhando como um espaço privilegiado para a confluência de troca de experiências, convívio e celebração dos afetos que articulam esta arte no Ceará.

Espetáculos e performances

Este ano o Festival programou a edição com artistas convidados, em sua maioria do Ceará. A dança contemporânea estará representada por: Leandro Netto Cia de Dança, com o espetáculo “Sodade”; Cia. Anagrama, com “Eu sou nós e as andorinhas”, ambos de Fortaleza; Nazaré Rocha, de Itapajé/CE, apresenta o solo “Ritual”, uma releitura de solo da bailarina Edileusa Inácio (Cia. Balé Baião), cuja primeira versão foi apresentada em 2005. É uma obra que evoca as forças ancestrais femininas, a mãe das águas salgadas Iemanjá, divindade viva que se faz poesia nos litorais do Nordeste. De Belo Horizonte/MG, o Festival recebe Rui Moreira Cia de Danças, que apresenta o solo “Receita”, coreografia de Henrique Rodovalho interpretada por Rui Moreira.

A dança-teatro aparece em dois solos. Celebrando seus 25 anos de carreira artística, o cearense multifacetado Orlângelo Leal é o intérprete criador do solo “Autômato”, onde usa instrumentos musicais excêntricos como o marimbal, a flauta nasal e o caixapé, produzindo efeitos sonoros ao vivo, combinando humor e dança numa divertida brincadeira cenomusical. De Assunção, Paraguai, o ator, bailarino e coreógrafo Hilario Godoy Agüero (Tercer Espacio Colectivo Artístico) apresenta “Migraciones”, um relato poético, a partir da perspectiva de um homem colocado em transe por deixar seu país e emigrar para outra terra, explora a maneira como o corpo de homem se comporta ao ser submetido a esta situação.

A Escola de Dança Alex Amorim traz a dança de salão ao Festival, apresentando o espetáculo “Passagens em dança a três: Homem, Mulher e Música”, resultado de pesquisa realizada em diferentes corpos dançantes, que resultaram em muitas performances de Dança de Salão na sua ampla variedade. O espetáculo tem coreografia, direção e interpretação de Islânia Lopes e Alex Amorim.

O Mestre Moisés Cardozo, nomeado em 2007 com o título de Tesouro Vivo da Cultura, pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secult é o coordenador da Dança do Coco de Lagoa, um folguedo popular de raiz afro-indígena nascido na comunidade de Alagadiço, no Distrito de Canaã, em Trairi/CE. A brincadeira tem uma profunda relação com o universo do trabalho nas casas de farinha, engenhos e pesca. Dança tradicional legítima de nossa região que perdura até os dias atuais, mantida através do trabalho incansável do Mestre Moisés e sua Escola de Coco, onde agrega crianças e jovens que aprendem desde cedo o ofício da dança.

Side Project Cia (Fortaleza/CE) também se apresenta com o espetáculo de danças urbanas “Transcender”. O grupo foi formado em 2012 com a proposta de difundir as danças urbanas e aprimorar os conhecimentos nos vários estilos que englobam o termo.

Performances Interativas

Na sexta e sábado a bailarina e coreógrafa Silvia Moura, homenageada nesta edição do Festival, apresenta “Performances Interativas” em locais diversos de Itapipoca, como a Estação Rodoviária, a Feira/Camelódromo e a Praça do Cafita. As performances terão a participação de Rafaela Mota e Gil Oliveira (Cia. Rebentos, de Itapipoca), Thiago Soares (Cia Flex, de Trairi), Evando Sunshine e Bergson Sousa (Cia. de Dança de Uruburetama), Luís Eduardo e Ernany Sousa (Escola Livre Balé Baião, de Itapipoca) e Benedita Márcia (Cia. Balé Baião, de Itapipoca).

As cenas propostas vão instaurar novas paisagens urbanas, trazendo um tempo que pertence à cena e será transferido para o cotidiano. Corpos gerando imagens e movimentos que em si podem modificar o olhar de quem sempre esteve ou passou por ali.