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Público aplaudiu neste domingo grandes mestres cearenses do choro e a orquestra da Uece, no Cineteatro São Luiz

Público aplaudiu neste domingo grandes mestres cearenses do choro e a orquestra da Uece, no Cineteatro São Luiz

 

Um domingo de reverência aos grandes mestres cearenses do choro, com direito a exibição de filme, concerto da Orquestra Sinfônica da Uece e muitas, muitas participações de “chorões” cearenses de várias gerações. Assim foi o dia de homenagens ao chorinho no Cineteatro São Luiz, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), celebrando o Dia do Choro, oficialmente comemorado ontem, 23/4, data do aniversário de Alfredo da rocha Vianna Filho, mais conhecido por Pixinguinha. A programação marcou o encerramento do II Chora, Iracema – Circuito de Choro de Fortaleza, que promoveu diversas atividades ao longo desta semana, em vários espaços da capital cearense.

A emoção neste domingo no Cineteatro São Luiz começou às 16h, com a exibição do belíssimo “Paulo Moura: a Alma Brasileira” (2013), filme dirigido por Eduardo Escorel e revelador da vida e da obra de um dos maiores artistas do País em todos os tempos. Arranjador, compositor, clarinetista e saxofonista, Paulo Moura ganhou uma homenagem à altura, com o filme, que inclui registros referentes a mais de 40 anos, trechos de 25 músicas executadas pelo grande mestre e muitas cenas de apresentações em países tão diversos quanto Nigéria e Israel, ressaltando a forma como o mundo abraçou a música deste gênio brasileiro, responsável por influenciar várias gerações.

E foram exatamente esses discípulos que, no palco do São Luiz, conquistaram muitos aplausos do público que compareceu em bom número para prestigiar a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará (Osuece), regida pelo maestro Alfredo Pessoa, formada por mais de 60 jovens – e já virtuosos – instrumentistas atuantes na cena cearense. Para esta grande noite de homenagem ao choro, a Osuece preparou um repertório mais do que especial, com clássicos como “Ingênuo”, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, “Santa Morena”, de Jacob do Bandolim, e com o primeiro movimento da “Suíte Retratos”, de Radamés Gnattali, cativando a plateia com a sucessão de timbres, entre cordas, madeiras e metais.


Nova geração de grandes músicos

Pelo palco, expoentes da nova música do Ceará, como o clarinetista Giltácio dos Santos, o trombonista Rômulo Santiago, a cavaquinista Brenna Freire, o bandolinista Pedro Madeira, os contrabaixista Iury Batista e Luiz Hermano, o percussionista Marcelo Holanda, entre tantos outros regidos pela batuta de Alfredo, no palco do São Luiz ainda mais belo com os defletores de som especialmente colocados para a apresentação da Osuece. Os aplausos foram proporcionais à quantidade de músicos e à entrega de todos no palco.

Como convidados que tocaram com a Osuece ou se apresentaram em formações menores, ao longo do show, ninguém menos que o acordeonista Adelson Viana, o bandolinista Jorge Cardoso, o saxofonista Marcio Resende, Paulinho do Pandeiro e Macaúba do Bandolim – estes últimos, homenageados da noite, que prestou tributo à Velha Guarda do Choro Cearense.


Grandes mestres

“Estivemos ontem no Rio de Janeiro, no Festival Nacional de Choro, e hoje estamos aqui para o Chora, Iracema, esse circuito tão importante, e para esta amravilha de espetáculo aqui no São Luiz”, destacou Adelson Viana, arranjador, compositor e instrumentista que se tornou referência nacional, a partir do Ceará e de seu trabalho autoral e com nomes como Raimundo Fagner e Dominguinhos. “Seu Domingos dizia que sanfoneiro que se preze tem que tocar choro. Então vamos lá”, relembrou, para aplausos.

“Representamos o Ceará neste grande encontro na Casa do Choro, do Rio de janeiro, na Praça Tiradentes, com direção do maestro Cristóvão Bastos”, confirmou Jorge Cardoso, que também conquistou o público ao tocar ao lado de Macaúba, em um encontro de diferentes gerações e estilos do bandolim cearense.


Mais sobre o II Chora, Iracema

Em sua primeira edição, o Chora, Iracema despontou como iniciativa independente, e foi acolhido pela Caixa Cultural, pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Largo do Mincharia, Largo dos Tremembés e Estoril, em que foi possível promover apresentações dos grupos Flor Amorosa (Clara Galvão, Clarisse Aires, Fabi Brogliato, Letícia Martins e Gigi Castro), Trio Mistura Brasileira (Moacir Bedê, Marco Túlio, Nilton Fiore), Kaya no Choro (Alisson Félix, Bruno Brasil, Tchelmy Sousa, Clarisse Aires, Tauí Castro e a participação de Carlinhos Patriolino) e da roda de choro com Macaúba do Bandolim, convidando  músicos de várias gerações para fechar o evento. O público – especialmente aqueles que circulam e habitam o entorno desses espaços no bairro da Praia de Iracema, inclusive a comunidade Poço da Draga – ocupou os equipamentos para uma escuta atenta e dedicada.

Em 2016, a homenagem à velha guarda do choro cearense fortalece um diálogo com processos formativos, ao criar encontros com músicos de diversas gerações, consolidando a ambiência cultural necessária para que o Chora, Iracema se expanda. A programação do evento aconteceU de 18 a 24 de abril, em equipamentos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), como Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Centro Cultural Bom Jardim, Escola Porto Iracema das Artes e Cineteatro São Luiz.