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Conversa com Xico Sá e Ricardo Kelmer marca o penúltimo dia de Bienal do Livro

Conversa com Xico Sá e Ricardo Kelmer marca o penúltimo dia de Bienal do Livro

 

Os escritores cearenses Xico Sá e Ricardo Kelmer participaram da mesa “O Conto nosso de cada dia” mediada pela professora Cleudene Aragão, que aconteceu neste sábado, 13/12, durante o penúltimo dia da XI Bienal Internacional do Livro do Ceará. O lançamento do livro “O dicionário amoroso de Fortaleza”, de Tércia Montenegro, também foi um dos destaques do dia.

Bem-humorada, a conversa começou com uma declaração inusitada de Xico. “Viva Moreira Campos! Principalmente por causa daquele conto em que o jumento entra na sacristia!”, exclamou o escritor fazendo referência ao homenageado da 11ª edição da Bienal. Os escritores comentaram suas obras e falaram sobre as mulheres, que tanto inspiram seus textos.

Atualmente, ambos os jornalistas vivem fora da capital cearense. Xico no Rio de Janeiro e Kelmer em São Paulo. Apesar de estarem longe do Ceará por alguns anos, eles dividiram memórias do Estado na conversa. Kelmer lembrou de sua adolescência e da primeira vez que leu Moreira Campos. “Lembro de uma neta de Moreira que era linda. Foi por isso que comecei a ler a obra dele. Queria impressionar a garota”, revelou.

Já Xico Sá lembrou de sua infância no Cariri ao comentar sobre seu livro “Big Jato”. “O Big Jato era o limpa-fossas mais famoso da região. Eu nunca esqueci o caminhão. Tive que escrever sobre”, afirmou em tom irônico. O escritor acrescentou que há “um monte de mentiras” em seu livro. Lembranças que se misturaram a fantasias.

Os convidados aproveitaram o encontro também para criticar a dificuldade de distribuição de de livros no País. “Você até consegue publicar um livro, consegue uma editora, mas quando chega na livraria o processo vira um funil, você tem pouco espaço”, comentou Kelmer. “Sou a favor da ideologia ‘punk’, do faça você mesmo. A melhor ideia hoje é juntar amigos para editar e publicar seus livros. Acho que a ideia é deixar o mercado ir atrás (da sua obra), ao invés de ir (você) ir atrás (do mercado)”, complementou Xico.

Paixão por Moreira e pela literatura

Xico Sá se declarou apaixonado por Moreira Campos, escritor que conheceu na época de faculdade. “Não tem um dia que não lembre desse conto do jumento na sacristia”, declarou, acrescentando que os textos de Moreira “são muito bons”. Ele ainda advertiu a plateia: “Não pensem literatura como chatisse. É o melhor entretenimento do mundo, melhor do que televisão”.

Amor a Fortaleza

As escritora Tércia Montenegro esteve no Café Literário da Bienal para lançar o seu livro “O dicionário amoroso de Fortaleza”. Na ocasião, estiveram presentes o ilustrador do livro, Klévisson Viana, e o editor Rosel Soares, da Editora Casarão do Verbo. A obra faz parte de uma coletânea lançada pela editora sobre as capitais do Brasil, mas “foge à ideia de guia. Há a liberdade do autor para escrever sobre a sua cidade”, explica Soares.

Dividida por verbetes de A a Z, como “Rachel de Queiroz, Aldeota, Benfica e Kitesurf”, e 12 ilustrações, a obra apresenta aos leitores a capital cearense por meio dos textos literários de Tércia. “Esse livro, de certa forma, me obrigou a conhecer melhor a cidade. Ficava na cobrança de conhecer tudo na cidade. Andei por lugares desconhecidos, até que me achei como escritora – e não como historiadora ou taxista – e passei a ver com tranquilidade o texto”, comentou a escritora.