Café Literário, no último dia da Bienal do Livro, se transforma em palco para a poesia
O espaço do Café Literário, durante a tarde de domingo, 14/12, último dia da XI Bienal Internacional do Livro do Ceará, virou palco de poetas, que recitaram poesias, lançaram livros e cantaram para o público. Os bate-papos foram marcados pelo lançamento do livro de Henrique Beltrão, chamado “No ar, um poeta”, pela declamação de poesias dos escritores Eduardo Quive, Cláudia Gonçalves e Mardônio França, e pela conversa sobre prosa e poesia entre os escritores Nina Rizzi e Anderson Fonseca.
O poeta, radialista e músico Henrique Beltrão abriu a programação do Café Literário no último dia de Bienal. Lançando sua narrativa poética autobiográfica, “No Ar, um Poeta”, o escritor aproveitou para cantar suas músicas e recitar poemas. Sua obra é resultado de seu doutorado que fez no Brasil (na Universidade Federal do Ceará) e na França (na Université de Nantes) e apresenta uma pesquisa sobre afetos e sentimentos.
“A ideia foi fazer uma ciência conversando com a arte”, explica o autor. Apesar de ser em prosa (Beltrão também é autor de livros de poesias, “Vermelho” e “Simples”), seu terceiro livro, publicado pela editora da UFC, dialoga com poesias e músicas, duas paixões do escritor, além do rádio. “Busquei entender os afetos do ponto de vista acadêmico. Contemplo todas as emoções como a raiva, o ódio, a tristeza e o amor, pois a paisagem humana é composta por todos eles”, comentou o autor.
O lançamento do livro foi marcado ainda pelas canções de Beltrão. Também compositor de letras já musicadas e interpretadas por artistas como Pingo de Fortaleza, Calé Alencar, Aparecida Silvino e Fagner, ele não soltou, em nenhum momento, seu violão. Versões para as músicas de Vinícius de Morais e Dorival Caymmi foram apresentadas na ocasião.
A força da poesia
A poesia ganhou mais força ainda no Café Literário quando três poetas de diferentes influenciam subiram ao palco para um bate-papo intitulado “Por que poesia?”. O moçambicano Eduardo Quive, a gaúcha Cláudia Gonçalves e o cearense Mardônio França além de conversarem sobre os conceitos poéticos, transformaram o espaço num verdadeiro sarau, convidado outros poetas a recitarem textos e poemas.
“Nunca terei resposta sobre o porquê da poesia. A poesia é uma necessidade. O poema me busca. De repente, eu preciso de uma caneta para escrever”, comentou Cláudia Gonçalves. Já Eduardo Quive definiu a poesia como uma questão de luta e de vida. “No meu país, onde só 40% da população é alfabetizada, a poesia é uma necessidade, uma questão de luta. O poema diz mais do que qualquer outro texto”, complementou o moçambicano, que emocionou a todos quando recitou os versos de “Quando eu morrer…”, poesia de sua autoria.
Conversa sobre prosa e poesia
O terceiro bate-papo no Café Literário, de tema “Entre poemas e narrativas o leitor se encontra”, recebeu os escritores Nina Rizzi e Anderson Fonseca, autores dos livros “Os tambores de Nzinga” (de poemas) e “O que eu disse ao general” (de contos), respectivamente. Inicialmente, os autores comentaram sobre as fronteiras entre os gêneros.
Fonseca lembrou que formatos literários como o microconto e o conto em forma de haikai são uma mescla entre os gêneros. “Nesses gêneros, as fronteiras não existem entre poesia e narração”, reforçou o escritor. Ele acrescentou ainda à conversa a importância primordial da poesia na formação das nações. “O que seria da Itália sem a Divina Comédia de Dante ou Portugal sem Os Lusíadas, de Camões? Essas obras, em poesia, marcaram a língua dos países. A narrativa é moderna”, comentou.
A poetisa Rizzi aproveitou para colocar em pauta a importância da literatura e da poesia nas escolas. “Precisamos apresentar a literatura de forma prazerosa nas escolas”, disse ao público. A escritora paulista, que mora há seis anos no Ceará, ao falar de seus poemas, descreveu aos presentes que “gostaria de fazer um poema onde pudesse morar”.
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