Noticias

Autismo: entenda como funciona acompanhamento multidisciplinar no Hospital de Saúde Mental

Autismo: entenda como funciona acompanhamento multidisciplinar no Hospital de Saúde Mental

Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha maior visibilidade no mês de abril, quando se celebra o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Promover a compreensão sobre a condição é uma forma de reduzir a discriminação e o preconceito. No  Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da  Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), crianças, adolescentes e adultos com TEA podem ser acompanhados.

No HSM, existem três ambulatórios específicos para esse tipo de transtorno: Núcleo de Assistência ao TEA na Primeira Infância (Natepi); Núcleo de Transtorno do Espectro Autista Infantil (Nutea); e Núcleo do Transtorno do Espectro Autista Adulto (Nutea-A). Em 2024, os três ambulatórios atenderam 15.027 pacientes. Este ano, somente nos meses de janeiro e fevereiro, já foram atendidos mais de 5 mil pacientes.

Infância e adolescência

O Nutea e o Natepi fazem parte do Núcleo de Atenção a Infância e Adolescência (Naia) do HSM, que recebe as crianças e os adolescentes que residem na capital e no interior do estado do Ceará. A assistência a pacientes com autismo representa 54,91% do número total de atendimentos no ambulatório. A professora Benedita Ferreira Raulino, de 48 anos, que reside em Morada Nova, interior do Ceará, acompanha o filho, Saulo, de 17 anos, em todas as consultas agendadas mensalmente.

Diagnóstico

O diagnóstico do TEA é clínico, não existindo um exame específico de comprovação. Durante a consulta, o médico, junto à equipe multiprofissional, identifica sinais e sintomas para definir se o paciente está dentro do espectro autista. Alguns sintomas são muito característicos do transtorno, o que auxilia no fechamento do diagnóstico.

Os sinais e sintomas de autismo são muito variados e nem sempre são fáceis de serem percebidos, mas estão relacionados principalmente à dificuldade de comunicação e socialização. Também podem ser observados comportamentos e interesses incomuns ou excessivos por determinados assuntos ou objetos, dificuldade de adaptação a mudanças na rotina ou movimentos repetitivos com o corpo.

Tratamento

No Naia, os atendimentos costumam acontecer mensalmente ou semanalmente. A equipe multiprofissional é composta por psiquiatras, psicólogos, residentes em Psiquiatria, assistente social e médico pediatra, responsáveis pelo acolhimento de todo o núcleo familiar do paciente.

O Serviço de Psicologia utiliza atividades educativas como jogos de palavras, blocos, livros de histórias, desenhos e pinturas, a fim de promover a interação, a comunicação e a imaginação do paciente.

A psicóloga Rita Rodrigues explica que é muito importante a intervenção precoce com equipe multiprofissional para crianças com autismo. “É interessante iniciar o mais cedo possível para diminuir os prejuízos dentro do desenvolvimento do paciente. A participação dos pais durante as consultas também é essencial, pois orientamos como lidar melhor com o comportamento do filho autista. Com as crianças, usamos intervenções lúdicas já trabalhando mudanças comportamentais e observando as dificuldades que podem ser trabalhadas de acordo com o nível de suporte que cada um precisa”, frisa Rita.

O acesso ao atendimento do Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência (Naia) do HSM é feito via Central Estadual de Regulação, após encaminhamento das unidades básicas de saúde e de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) dos municípios.

Ambulatório de autismo para adultos

Ambulatório para Autistas Adultos do HSM iniciou suas atividades em dezembro de 2023, oferecendo atendimento especializado para pacientes que ainda não possuem um diagnóstico formal. O principal objetivo do serviço é realizar essa avaliação diagnóstica e, a partir disso, proporcionar um plano de intervenção adequado.

“Os pacientes têm acesso a acompanhamento médico, atendimento psicológico e participação em um Grupo de Treinamento em Habilidades Sociais, uma estratégia essencial para o desenvolvimento da autonomia e da qualidade de vida”, afirma o psicólogo Wesley Ramos. O tratamento no ambulatório tem duração de um ano e busca promover não apenas o diagnóstico, mas também dar suporte e orientações para que os pacientes possam compreender melhor suas características e desenvolver estratégias para lidar com os desafios do dia a dia.

O acesso ao ambulatório é realizado através de agendamento no próprio local com encaminhamento médico.