Supesp e SEIR apresentam ferramenta de mapeamento dos terreiros no II Encontro dos Povos de Terreiro do Ceará

Dando continuidade ao projeto de construção da nova Plataforma de Mapeamento dos Terreiros de Matriz Africana e Afro-Brasileira, a Superintendência de Pesquisa e Estratégia e Segurança Pública (Supesp) reuniu-se com a Secretaria da Igualdade Racial (Seir) para o II Encontro dos Povos de Terreiro do Ceará, no Porto Iracema das Artes. O momento teve como objetivo a discussão das ferramentas que incluirão entre outras informações, os dados, as atividades, os vínculos comunitários e, sobretudo, as situações de violência, intolerância e discriminação que ainda afetam essas comunidades.
Estavam presentes no II Encontro, que aconteceu no último dia 14 de novembro, a secretária de Igualdade Racial, Zelma Madeira, Eudázio Sampaio, diretor da Diretoria de Pesquisa (Dipas) da Supesp, também babalorixás, yalorixás e Pais e Mães de Santo de diversas regiões do Ceará como Fortaleza, Maracanaú, Camocim e Chaval.
Lideranças dos povos de terreiro participaram do encontro no Porto Iracema das Artes
Para Zelma Madeira, o mapeamento servirá como um apoio para as pessoas de terreiro. “A iniciativa firmará a valorização e o compromisso com a criação de políticas públicas para esses grupos. Nosso Ceará precisa reconhecer a presença das comunidades de terreiro com respeito e busca pela igualdade, entendendo que são locais sagrados e que contribuem para toda a sociedade”, finaliza a secretária.
De acordo com Eudázio Sampaio, o projeto de mapear os terreiros confirma o compromisso da Supesp como órgão público no auxílio da redução de discriminação. O diretor ressalta que o primeiro passo para o mapeamento é o apoio que está recebendo dos grupos. “O acordo que temos como órgão público com a sociedade se faz cada vez mais presente por meio de iniciativas assim, que buscam a inclusão e a valorização coletiva”, disse.
Ferramenta construída com diálogo e participação ativa das comunidades
O mapeamento será desenvolvido pela Supesp com a proposta de ser apresentado como uma ferramenta pública e aberto ao aperfeiçoamento e à participação direta das lideranças tradicionais. O líder religioso Pai Ricardo de Xangô destaca a importância de ações assim como algo “inovador e bastante válido”. O sacerdote, que lidera um terreiro na Barra do Ceará, conta que a participação dos terreiros em acordos desse tipo, demonstrarão a inclusão na sociedade contribuindo para o bem dela.

Diretor da Dipas, Eudázio Sampaio, explica como será o trabalho de mapeamento dos terreiros pela Supesp
A iniciativa organizará as informações em quatro eixos, sendo eles o contexto territorial, a atuação comunitária, os episódios de intolerância religiosa e as estratégias de fortalecimento. Dessa forma, os locais serão consentidos a relatarem as práticas sociais positivas, por exemplo educacionais e ambientais e também experiências de violências como discriminações ou dificuldades perante instituições públicas.
Sigilo e transparência
Na reunião, os associados contribuíram com sugestões, críticas e percepções fundamentais para garantir que o instrumento seja adequado às especificidades culturais, territoriais e espirituais de cada casa. O diálogo teve como foco a viabilidade da aplicação, os ajustes necessários no questionário e a garantia absoluta da não identificação de pessoas ou espaços sagrados, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Todos os dados serão coletados de maneira sigilosa e usados exclusivamente em análises agregadas e protegidos por protocolos éticos e legais.
A Supesp desempenha um papel estratégico ao produzir diagnósticos e evidências qualificadas que apoiam ações de prevenção, proteção e enfrentamento ao racismo religioso. Com a plataforma de mapeamento, o órgão amplia a capacidade de analisar padrões territoriais, identificar áreas de maior vulnerabilidade e compreender como violências e ataques impactam a rotina, a segurança e a organização comunitária das associações.
O Estado reafirma, assim, o compromisso com um modelo de política pública participativo, protetivo e antirracista, em que os povos de terreiro não apenas participem, mas conduzam as diretrizes de uma agenda de direitos, segurança e reconhecimento no geral.