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Mamografia detecta cerca de 95% de alterações na mama; exame está disponível em 25 serviços da Rede Sesa

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Mamografia detecta cerca de 95% de alterações na mama; exame está disponível em 25 serviços da Rede Sesa

Mamografia busca identificar nódulos nos seios

Medo da dor, receio do resultado. São muitos os motivos para que as mulheres não realizem a mamografia, um dos exames mais importantes para o rastreamento e diagnóstico do câncer de mama. Esse exame é capaz de detectar alterações em cerca de 95% dos casos e é recomendado como rotina para todas as mulheres com mais de 50 anos, pelo menos a cada dois anos, segundo o Ministério da Saúde.

O medo da dor fez com que a costureira Verônica Alves, 51, adiasse por mais de um ano a sua primeira mamografia. Como ela tem displasia mamária, que é um problema que deixa as mamas mais sensíveis, imaginou que seria doloroso. No entanto, depois de conversar com a irmã mais velha, decidiu enfrentar esse receio e foi até a policlínica de Pacajus, ligada à rede estadual, onde o exame é realizado. “A prevenção é mais importante do que o medo. Então, resolvi fazer, mesmo nervosa”, disse.

O desconforto por conta do exame foi bem menor do que o que ela imaginou. “É muito rápido, nem dá tempo de a gente sentir tanto”, disse.

De acordo com a mastologista Gabriela Carvalho, a mamografia é o principal exame de rastreio

A mamografia é um exame bastante simples, uma espécie de raio X das mamas, que busca identificar nódulos nos seios antes de eles se tornarem palpáveis. As imagens são registradas com a utilização de baixa radiação, o que possibilita visualizar a estrutura interna dos tecidos em alta resolução. Em 2023, foram realizadas 131.188 mamografias em todo o Estado, mais de 20 mil a mais do que no ano anterior. 

Segundo a coordenadora das Redes de Atenção à Saúde da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Rianna Nobre, existem mais de 60 mamógrafos em todo o Ceará, sendo 25 da rede estadual. Eles estão em todas as regiões cearenses, distribuídos nas Policlínicas Regionais e em Fortaleza, nos Hospitais Geral César Cals (HGCC) e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA) e no Instituto de Prevenção do Câncer (IPC).

Rianna Nobre afirma: é importante falar sobre o assunto durante todo o ano e não apenas no chamado “outubro rosa”

A gestora destaca que o estímulo para que as mulheres realizem o exame deve ocorrer durante todo o ano e não apenas no conhecido outubro rosa –  movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama. “Em janeiro, solicitamos que todas as cinco regiões de saúde e as áreas descentralizadas de saúde (ADS) fizessem um plano de ação com foco no rastreamento do câncer de mama e de colo de útero, para que as atividades de prevenção fossem durante todo o ano e não apenas no mês de outubro. Dessa forma, vamos fazer nesse mês de maio o monitoramento do primeiro quadrimestre, para perceber se houve alguma melhora no número de exames, em comparação com o ano passado”, ressalta.

O caminho para o exame começa na consulta de rotina nos postos de saúde. “A mulher vai para o posto e o médico ou enfermeiro solicita a mamografia de rastreamento. O município, através de sua Secretaria da Saúde, regula e agenda para a Policlínica Estadual de referência. Depois de realizar o exame, o paciente retorna ao município para continuidade de seu rastreamento, conforme o resultado, ou é encaminhada para o mastologista da própria policlínica”, explica.

Sedentarismo ainda é fator de risco para o câncer de mama

De acordo com a mastologista Gabriela Carvalho, que trabalha na Policlínica Regional Dra. Márcia Moreira de Meneses, em Pacajus, a mamografia é o principal exame de rastreio. “Mesmo sem qualquer sintoma, recomendamos que mulheres a partir dos 40 anos realizem a mamografia, porque ela detecta alterações que não são possíveis de perceber no toque, por exemplo”.

Apesar de algumas pacientes relatarem dor ao realizar o exame, a sensibilidade de cada mulher é muito relativa. “Eu, por exemplo, fiz e não senti nada. Para minimizar o desconforto, o ideal é realizar o exame cerca de dez dias após a menstruação e tentar relaxar, porque às vezes a tensão pode aumentar a dor”, esclarece.

Como fatores de risco para o câncer de mama, a mastologista destaca a obesidade e o sedentarismo. “Os principais fatores são a obesidade e o sedentarismo, além de uma alimentação inadequada e o consumo de álcool. O uso de hormônios, seja por reposição hormonal ou de anticoncepcionais, também influencia, assim como ter parentes diretos que tenham tido câncer, como mãe, irmã ou filha”, pontua.