Secretário pede a prefeitos compromisso de não reduzir serviços com o novo HRN

Agregar, somar, ampliar. Com essas palavras, destacadas de forma insistente, o secretário da saúde do Estado, Arruda Bastos, enfatizou o objetivo do Hospital Regional Norte e apelou aos prefeitos e secretários dos 55 municípios da macrorregião Norte do Estado, nesta manhã, em Sobral, para o “compromisso de não reduzir em hipótese alguma o que já existe nos municípios com a chegada do Hospital Regional Norte. O novo hospital, o maior do interior do Nordeste, não veio para substituir serviços realizados nos Hospitais Polos ou nos Hospitais de Pequeno Porte ou nas Unidades Básicas de Saúde da Família”. Ele deixou bem claro que “o HRN vai garantir à população atendimento em especialidades e exames ainda não feitos na rede pública da região e também ampliar e facilitar o acesso a serviços já existentes, mas com dificuldades devido a grande demanda. Agora a Santa Casa, unidade filantrópica, não será mais o único destino para atendimento a casos mais complexos da região. Os casos mais graves virão para o HRN”.

O prefeito de Sobral, Clodoveu Arruda, fez um resgate histórico e falou da nova visão de desenvolvimento e inclusão social que o governo do Estado vem colocando em prática na saúde do Ceará: ”há 400 anos a história do Ceará ia na contramão de hospitais no interior do Ceará. Uma nova visão de desenvolvimento do governo Cid Gomes descentraliza a assistência, trazendo para o nosso interior a conquista histórica de ter na própria região um hospital de alta complexidade, articulado com policlínicas, CEOs, UPAs”. Ele lembrou que 60% do PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todas as riquezas geradas no Estado, são concentradas na Região Metropolitana em função do velho modelo de desenvolvimento implantado no Estado. A coordenadora da Regional de Saúde de Sobral, Lucila Magalhães, classificou o HRN de “um sonho sonhado coletivamente, que traz para a população todas as linhas de cuidados com a criança, a mulher, o idoso e a pessoa com deficiência”.
Um debate, rico em troca de informações, sugestões e dúvidas, ocorreu logo após as falas dos gestores da Sesa e da Prefeitura Municipal de Sobral. Os temas, além de regulação de pacientes a partir do funcionamento do Hospital Regional Norte, que vai atender 1 milhão e 550 mil habitantes dos 55 municípios, foram diversificados.

REGULAÇÃO
“Não deve haver concorrência entre os serviços de saúde. O HRN veio fortalecer a assistência na região, reduzindo o fluxo de pacientes para a capital. Se um Hospital Polo da região realiza atendimento em obstetrícia vai continuar fazendo. Aqui para o Hospital Regional devem ser encaminhados, através da comunicação com Central de Regulação, gestantes de alto risco”. O esclarecimento foi feito pela coordenadora de Regulação, Avaliação e Controle da Sesa, Lilian Beltrão. Ela aproveitou para afirmar que “a expectativa é de que com o novo hospital a rede de assistência fique mais regionalizada, com a oferta e a demanda de serviços mais organizada, com todos sabendo onde os pacientes serão atendidos e de forma mais rápida”.
MAIS ACESSO
Há especialidades em que o acesso dos pacientes a exames e cirurgias é mais demorado. Destaque para a traumato-ortopedia. Entre os gestores municipais e técnicos das regionais, que formavam o público do encontro sobre “O novo perfil da assistência na macrorregião Norte, a necessidade de reforçar os serviços dessa área foi predominante na maioria das falas. Surgiu até a ideia da realização de um mutirão no HRN para reduzir a demanda eletiva da região”. Segundo dados expostos por Lilian Beltrão, existem atualmente na Central de Regulação do Estado 300 pacientes aguardando cirurgias em traumato-ortopedia. O secretário Arruda Bastos informou que tanto na policlínica regional em Sobral, em funcionamento, como na policlínica regional em Tianguá, que será inaugurada nos próximos meses, a traumatoortopedia está incluída entre as 13 especialidades ofertadas nas policlínicas tipo 2.
VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO
A violência no trânsito e a repercussão na lotação dos hospitais foi um dos assuntos mais debatidos durante o encontro. O uso do capacete e campanhas permanentes de valorização da vida, do auto-cuidado foi defendida pelo prefeito Clodoveu Arruda: “estamos dispostos a desenvolver uma campanha regional , envolvendo todos os 55 municípios, para conscientizar os condutores para a necessidade de seguir as leis do trânsito em respeito à própria vida e também do coletivo”. Arruda Bastos colocou a Sesa à disposição, comprometendo-se a mobilizar outras secretarias e órgãos na campanha. A violência, incluindo a de trânsito, é a terceira causa de mortes no Ceará. Fica atrás apenas do AVC, a doença que mais mata no Estado, e das neoplasias.

DENGUE
Assim como a prevenção à violência no trânsito, no encontro ficou enfático de que o controle da dengue precisa ser através de uma ação regional. No Ceará em 2012 foram registrados 36 óbitos por dengue. “Não podemos viver uma epidemia este ano. Precisamos cuidar do mosquito agora em todos os 55 municípios da região para depois não sofrermos com hospitais lotados de pacientes”, disse o vice-prefeito e ex-secretário de saúde de Sobral, Carlos Hilton.

Fachada da Policlínica Regional, em Sobral
REGIONALIZAÇÃO
O sentimento de regionalização apareceu em quase todas as falas e debate. ¨Coletivamente, com a força da regionalização, vamos enfrentar os desafios que surgem com o crescimento da rede de assistência, com o Hospital Regional Norte¨, afirmou o secretário adjunto da Sesa, Haroldo Pontes. Ele falou do compromisso do governo do Estado em construir a mais completa rede de saúde do país, formada, além do HRN, de outros três hospitais regionais, 22 policlínicas, 18 CEOs, 32 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h). Na atenção básica, o governo do estado liberou 26,6 milhões para a construção de 150 Unidades Básicas de Saúde da Família nos padrões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Estratégia adotada na gestão das policlínicas e CEOs para fortalecimento da regionalização, os consórcios públicos de saúde estiveram em pauta nesta terça-feira, 5, em Sobral. Dentro da policlínica regional, inaugurada no ano passado pelo governador Cid Gomes, gestores da Sesa e prefeitos e secretários de saúde dos 24 municípios que integram a 11 região de saúde discutiram o custeio das unidades. A manutenção financeira das policlínicas é feita de forma compartilhada pelo governdo do Estado e os municípios. Já os CEOs contam com o apoio do Ministério da Saúde. Eleito recentemente em assembleia, o prefeito de Sobral é o presidente do consórcio.
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