Cinturão Digital
Cinturão Digital do Ceará: a espinha dorsal da transformação tecnológica do Estado
O Cinturão Digital do Ceará (CDC) se consolida como a principal infraestrutura tecnológica do estado e base da transformação digital cearense. Operado pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), o sistema soma 5.942 km de fibra óptica e atende 139 municípios com conectividade de alta capacidade.
Ao completar 26 anos em 2026, a Etice reforça o papel estratégico do CDC no desenvolvimento econômico e social. A rede conecta o Ceará aos principais fluxos globais de dados e amplia o acesso a serviços digitais, educação e oportunidades de trabalho em todo o território.
O backbone do CDC conta com 12 pares de fibra óptica. Cinco operam em plena capacidade. Os outros sete formam um estoque estratégico para novos negócios. A Etice prepara a oferta dessa infraestrutura ao setor privado, com foco na atração de data centers e empresas de tecnologia.
Diante do avanço de projetos de data centers na Região Metropolitana e no interior, a empresa iniciou estudos de viabilidade para ativar esses pares ainda não iluminados.
A infraestrutura do CDC sustenta Fortaleza como um dos maiores hubs de conectividade da América Latina, com 16 cabos submarinos ancorados na Praia do Futuro. A localização garante baixa latência nas conexões com Brasil, Europa, Estados Unidos e África.
Para 2026, a Etice projeta dobrar a capacidade da rede do Cinturão Digital. A transmissão passará de 200 Gbps para 400 Gbps, alinhando o estado à demanda crescente por processamento de dados e inteligência artificial.
Outro diferencial competitivo do Ceará é a oferta de energia renovável. O estado gera cerca de 4,5 GW em fontes eólica e solar, frente a um consumo médio de 1,65 GW. O excedente de 2,8 GW cria condições favoráveis para a instalação de grandes operações de dados.
Esse cenário, aliado ao CDC, impulsionou o anúncio de investimento de R$ 200 bilhões da TikTok/ByteDance/Omnia na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Complexo do Pecém. O foco do governo agora é levar data centers ao interior, próximos às áreas de geração de energia.
Além da atração de investimentos, o CDC sustenta o Programa Ceará Conectado, que oferece internet gratuita em praças e espaços públicos. Em 2025, o programa registrou quase 900 mil acessos. Hoje, atende 136 municípios e tem expansão autorizada para mais 47.
O projeto teve início em 2007, com o GigaFor, e avançou para o interior a partir de 2008. Tornou-se referência nacional e inspirou o Plano Nacional de Banda Larga. À época, apenas 3% da população cearense tinha acesso à banda larga paga.
O plano estratégico da Etice para 2026-2030 prioriza a expansão da rede, o reforço da cibersegurança e o uso de inteligência artificial na gestão pública. A meta é consolidar o modelo de “Governo como Plataforma”, com serviços mais ágeis e integrados.
A operação do CDC ocorre com monitoramento permanente, 24 horas por dia. A estrutura garante estabilidade para sistemas críticos do Estado e de parceiros. A proximidade com subestações de energia amplia a resiliência da rede.
Modelo de negócio e impacto econômico
O CDC adota um modelo de marketplace que permite ao setor público contratar soluções por meio de provedores credenciados, como Amazon, IBM, Microsoft e Google. O formato reduz custos, amplia a oferta de serviços e estimula a concorrência no mercado de internet.
A combinação entre posição geográfica estratégica, infraestrutura robusta e energia renovável coloca o Ceará em rota de consolidação como hub global de data centers.
Cronologia
2007 – Início do GigaFor, com rede de alta velocidade para ensino e pesquisa na Região Metropolitana de Fortaleza, em parceria com a Redecomep. Uso inicial de fibras apagadas da RNP.
2008 – Assinatura da ordem de serviço para implantação no interior. Projeto prevê anel óptico de 2.500 km. Investimento inicial de R$ 78 milhões.
2009 – Implantação da rede no interior e integração com a capital. Uso de tecnologias como DWDM e WiMAX.
2010 – Inauguração oficial do CDC. Cobertura de 82% da população urbana. Redução significativa dos preços de internet e impacto direto em milhões de usuários.
2011 – Criação do Programa Estadual de Banda Larga. Ampliação da participação privada e conexão de prefeituras.
2014 – Expansão para 130 municípios e concessão de fibras a provedores. Suporte à infraestrutura de telecomunicações da Copa do Mundo.
2016 – Ampliação para 142 municípios, com novos investimentos federais.
2019-2020 – Planejamento de upgrades e captação de recursos internacionais para expansão e segurança da rede.
2022 – Contrato com o BID para o programa Ceará Mais Digital, com foco em conectividade e transformação digital.
2023-2025 – Avanço em capacidade, cibersegurança e expansão da rede, que atinge mais de 5.900 km e cobertura de grande parte da população.
2026 – Acréscimo de 75 km ao backbone.
Vantagens para data centers
O CDC oferece alta capacidade e redundância, fatores essenciais para data centers. A infraestrutura permite a descentralização dos investimentos, estimula a economia no interior, gera empregos especializados e cria nova fonte de receita para o Estado por meio do uso da rede.
Banco Mundial
O Cinturão Digital é referência em estudo do Banco Mundial, “O Nordeste Digital – Fundamentos para a elaboração de uma estratégia de transformação regional”, produzido para o Consórcio de governadores da região. O documento assinala que o Ceará se destaca pela política de inclusão digital territorializada, garantindo que áreas rurais e populações historicamente excluídas participem da economia digital.
“Com investimento de R$ 300 milhões, o Ceará criou uma infraestrutura de base para a digitalização de serviços públicos, educação remota e empreendedorismo digital”. Dois dos 12 pares de fibra óptica do Cinturão Digital foram entregues por meio de concessão para provedores de internet.
A medida impulsionou o surgimento de mais de 500 provedores regionais de internet (ISPs) que utilizam sua rede para oferecer serviços de conectividade a governos, a empresas e à população em geral. Esse ecossistema descentralizado gera empregos locais, amplia a concorrência e fortalece a economia digital em todo o estado.