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Funcap apoia criação de equipamento para aplicação de anestesia odontológica sem dor

Funcap apoia criação de equipamento para aplicação de anestesia odontológica sem dor

Como anestesiar pacientes sem que eles sintam dor? A pergunta de José Augusto para o filho José Jeová Siebra Moreira Neto, ambos dentistas, serviu para que Jeová, em parceria com o irmão Augusto Darwin, começasse a pensar em como tornar possível uma solução para a questão. Jeová é cirurgião dentista, mestre e doutor em Odontopediatria pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp –Araraquara), e professor do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Augusto também é cirurgião dentista, com mestrado e doutorando em Odontologia pela UFC. Ambos são sócios de uma Clínica Odontológica.

 

Jeová e Augusto tiveram o projeto “Dispositivo para o controle da dor durante anestesia local em odontologia” aprovado no edital do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (PAPPE Integração) – Nº 10/2010, da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), em parceria com a Agência Brasileira da Inovação (Finep). O objetivo foi desenvolver um dispositivo para evitar a sensação dolorosa durante a realização de anestesia odontológica, além de realizar testes clínicos necessário para a efetivação do produto.

 

O projeto “Dispositivo para o controle da dor durante anestesia local em odontologia” recebeu da Funcap e da Finep R$ 193.820,00, enquanto a Clínica Odontológica investiu uma contrapartida de R$ 84.480,00. Para o empresário, o Pappe Integração tornou possível transformar uma ideia inovadora em realidade.

 

“Estímulos governamentais, na fase em que estamos, são fundamentais para criar uma atmosfera de estímulo à Inovação em nosso estado. Acredito que nosso povo, além de trabalhador, é criativo. O que precisamos é de estímulos como o Pappe para que possamos mudar a forma de pensar e de fazer pesquisa. Em vez de testar materiais e produtos importados, devemos desenvolver os nossos próprios equipamentos, materiais ajustados à nossa realidade, produtos acessíveis, entre outros”, destaca o empresário.

 

E as inovações da Clínica Odontológica não param. O projeto “Desenvolvimento de dispositivo para anestesia odontológica automático controlado por computador”, foi aprovado no edital do Pappe 06/2013, sendo um aprimoramento do projeto anterior.

 

O projeto de 2010 apresentava duas tecnologias inovadoras: controle da punção inicial da agulha e vibração circunscrita dos tecidos. O novo projeto desenvolverá outras duas: identificação da pressão da anestesia em tempo real, já existente em um produto estadunidense, necessária para um tipo de técnica anestésica, e realização da técnica de anestesia de forma automática. “Ou seja, o cirurgião dentista irá apenas identificar a região anatômica e os procedimentos de inserção da agulha nos tecidos e liberação do líquido anestésico serão controlados por computador. Não existe produto com estas características no mercado mundial” explica Jeová.

 

Apesar do sucesso, a tecnologia ainda não está disponível no mercado. O protótipo do projeto aprovado no edital do Pappe 06/2013 deverá estar pronto em 14 meses. Entretanto, várias etapas precisam ser vencidas para o produto ser disponibilizado. “Inicialmente, precisamos da aprovação na Anvisa, o que leva um tempo considerável. Após a aprovação, precisamos fazer parcerias para conseguirmos capital para a produção em escala do produto. Assim, em três anos esperamos lançar um produto que seja acessível para os cirurgiões dentistas e uma agradável surpresa para os pacientes”, informa.

 

O produto

 

Para alcançar o objetivo, o dispositivo deveria apresentar as seguintes características: controle de punção da agulha; controle de injeção do líquido anestésico; estímulos vibratórios e desenho externo modificado. “Existem vários trabalhos científicos que afirmam que a anestesia é o principal motivo de medo e ansiedade sentido pelos pacientes. Estes sentimentos têm relação direta com a experiência sentida por eles durante a realização deste procedimento, ou seja, a dor”, explica Jeová.

 

De acordo com Jeová, a condição psicológica influencia o limiar de dor do paciente. Desta forma, o medo, a ansiedade e o estresse influenciam diretamente o modo como o paciente vai responder aos estímulos operatórios. Segundo o professor da UFC, pacientes com medo ou ansiedade terão um menor limiar de dor. “Assim, para o tratamento de pacientes com um alto grau de ansiedade, é fundamental que o profissional, por meio de técnicas psicológicas, diminua a ansiedade, permitindo uma experiência a qual chamamos de Odontologia minimamente desconfortável”, informa.

 

O desenvolvimento foi realizado em duas etapas: a elaboração do produto e seus testes clínicos. Para o protótipo ficar pronto, a equipe precisou desenvolver o dispositivo do controle de punção da agulha, mecanismos para causar estímulos vibratórios na mucosa a ser anestesiada e um mecanismo de injeção do líquido anestésico controlado por computador, além do design. Os testes clínicos foram realizados em cooperação com o Departamento de Clínica Odontológica da UFC, assim como a definição das características do produto foi realizada em conjunto com professores da universidade.

 

O dispositivo entra em contato com a mucosa causando uma pressão negativa de forma que a mucosa é tensionada de encontro à agulha, sendo limitada por um obstáculo, impedindo uma penetração maior que o bisel da agulha. Um micromotor emite vibrações para que a região a ser anestesiada sinta esta vibração e impeça a passagem dos estímulos dolorosos da punção da agulha. De acordo com Jeová, os membros da equipe estão empolgados com os resultados até o momento, citando o fato de quatro dissertações de mestrado terem avaliado alguns aspectos do dispositivo, classificando-o como superior em relação à seringa convencional.

 

“Para citar um dado técnico, 100% dos pacientes durante a anestesia com o dispositivo estavam confortáveis a partir da análise de uma escala chamada SOM (sons, olhos e movimentos). Quando a mesma escala foi aplicada com a anestesia convencional, 40% dos pacientes estavam confortáveis, 40% com desconforto leve e 20% sentiram dor. Além disto, ao final da pesquisa, mais de 75% das crianças preferiram ser anestesiada com o nosso dispositivo”, comemora o professor da UFC.

 

De acordo com pesquisas realizadas pela equipe desenvolvedora, a maioria das crianças não tem medo de ir ao consultório odontológico, desde que não tenham passado por uma experiência negativa. E por experiência negativa foi englobado qualquer tipo de desconforto, como esperar muito pela consulta e longas sessões, por exemplo.

 

13.05.2014

Assessoria de Comunicação da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (Funcap)

Rafael Ayala (imprensa@funcap.ce.gov.br / 85 3275.9629)

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