{"id":413,"date":"2013-01-03T13:41:13","date_gmt":"2013-01-03T16:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secult.ce.gov.br\/2013\/01\/03\/biografia-juvenal-galeno\/"},"modified":"2013-01-03T13:41:13","modified_gmt":"2013-01-03T16:41:13","slug":"biografia-juvenal-galeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ww16.ce.gov.br\/secult\/2013\/01\/03\/biografia-juvenal-galeno\/","title":{"rendered":"Biografia &#8211; Juvenal Galeno"},"content":{"rendered":"<div id=\"parent-fieldname-text\" style=\"text-align: center;\">\n<p class=\"Titulo\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.secult.ce.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/83\/2013\/01\/juvenal-galeno.jpg\" target=\"_blank\"><strong><\/strong><\/a><strong><br \/>Juvenal Galeno &#8211; (1836-1931)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neto de Albano da Costa dos Anjos e do  portugu\u00eas Manuel Jos\u00e9 The\u00f3philo, Juvenal Galeno da Costa e Silva nasceu  em Fortaleza, a 27 de setembro de 1836, em uma resid\u00eancia na Rua  Formosa, n\u00ba 66 (hoje Bar\u00e3o do Rio Branco). Filho de Jos\u00e9 Ant\u00f4nio da  Costa e Silva e Maria do Carmo Te\u00f3filo e Silva, abastados agricultores  cafeeiros na encosta da Serra de Aratanha em Pacatuba. Primo pelo lado  paterno de Capistrano de Abreu e Cl\u00f3vis Bevil\u00e1qua e pelo lado materno de  Rodolfo Te\u00f3filo. Ainda pequeno se mudou com a fam\u00edlia para o S\u00edtio Boa  Vista, recanto aconchegante que lhe embalou os sonhos de crian\u00e7a. O  tempo foi passando e o menino Juvenal trazia a seiva da imensur\u00e1vel  ramifica\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus estudos prim\u00e1rios ele os fez numa escola de Pacatuba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos treze anos de idade, j\u00e1 com no\u00e7\u00f5es de  latim ministradas pelo padre Nogueira Braveza, mal ainda havendo  despertado para a adolesc\u00eancia, fundou e fez circular o primeiro jornal  puramente liter\u00e1rio no Cear\u00e1, o \u201cSEMPRE VIVA\u201d, destinado ao sexo  feminino. O jornal teve ef\u00eamera exist\u00eancia, porque vivia ainda sob a  tutela dos pais, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de dar continuidade a esse  empreendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda na inf\u00e2ncia, acompanhou o tio, Dr.  Marcos The\u00f3philo, m\u00e9dico, pai de Rodolfo The\u00f3philo, \u00e0 cidade de Aracati,  onde frequentou uma escola p\u00fablica ministrada por Porf\u00edrio Sab\u00f3ia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando de Aracati em 1851, matriculou-se no Liceu do Cear\u00e1 onde cursou Humanidades at\u00e9 1855 .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1853, fundou e fez circular o primeiro  jornal da imprensa estudantil no Cear\u00e1, o jornal \u201cMocidade Cearense\u201d,  tamb\u00e9m de ef\u00eamera exist\u00eancia, em virtude, da transfer\u00eancia de seu s\u00f3cio e  colega Joaquim Catunda para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o Curso, foi para o Sitio Boa Vista  ajudar o pai na administra\u00e7\u00e3o das atividades agr\u00edcolas, principalmente  na cultura cafeeira, numa \u00e9poca em que o caf\u00e9 assumia expressiva  import\u00e2ncia na economia cearense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o intuito de aperfei\u00e7o\u00e1-lo em assuntos  agr\u00edcolas, seu pai mandou-o para o Rio de Janeiro em busca de adquirir  maior conhecimento nas t\u00e9cnicas do plantio do caf\u00e9. Levava consigo uma  carta de recomenda\u00e7\u00e3o de Rufino Jos\u00e9 de Almeida apresentando-o a  Francisco Paula Brito, propriet\u00e1rio da Marmota Fluminense. Ali Juvenal  Galeno travou rela\u00e7\u00f5es de amizade com Machado de Assis, Saldanha  Marinho, Joaquim Manoel de Mac\u00eado, Quintino Bocai\u00fava e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seduzido pelo conv\u00edvio das letras, passou, a  partir de ent\u00e3o, a escrever poesias e a public\u00e1-las na Marmota  Fluminense ao lado de Machado de Assis e outros escritores. Demorou no  Rio pouco mais de um ano, mas antes de seu regresso ao Cear\u00e1 reuniu tais  produ\u00e7\u00f5es, editando-as em 1856, sob o t\u00edtulo de Prel\u00fadios Po\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta ao Cear\u00e1, Juvenal Galeno trouxe dois exemplares de <strong>\u201cPREL\u00daDIOS PO\u00c9TICOS\u201d<\/strong>, ricamente encadernados com sua fotografia, que ofereceu a seus pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPREL\u00daDIOS PO\u00c9TICOS\u201d<\/strong> livro de estreia de Juvenal Galeno, editado em 1856, foi o <strong>primeiro livro da literatura<\/strong> cearense, tornando-se o marco inicial do <strong>Romantismo no Cear\u00e1<\/strong>, como afirmaram Mario Linhares, na sua \u201cHistoria da Literatura\u201d, Ant\u00f4nio Sales e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de ent\u00e3o sua exist\u00eancia passou a  transcorrer entre o S\u00edtio Boa Vista, na Serra de Aratanha, e a cidade de  Fortaleza. Ainda por esse tempo ingressou como alferes nos quadros da  Guarda Nacional, como tamb\u00e9m no Partido Liberal , em cujo jornal passou a  colaborar. Em 1858 foi eleito Suplente de Deputado Provincial pelo  c\u00edrculo de Ic\u00f3, onde defendeu um projeto para cria\u00e7\u00e3o de uma escola  pr\u00e1tica de agricultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1859, desembarcava em Fortaleza, trazida  a bordo do Tocantins, a c\u00e9lebre Comiss\u00e3o Cientifica de Explora\u00e7\u00e3o,  dirigida por Freire Alem\u00e3o, composta por doze pessoas, entre as quais se  destacavam Raja Gabaglia, Capanema e o poeta Gon\u00e7alves Dias, que  chefiava a Se\u00e7\u00e3o Etnogr\u00e1fica e Narrativa da Miss\u00e3o. De Fortaleza rumaram  para Pacatuba ficando hospedados na casa dos pais de Juvenal Galeno.  Ali na serra e na capital cearense, Juvenal teve como amigo e  conselheiro, Gon\u00e7alves Dias, que lhe estimulou os pendores liter\u00e1rios,  ali\u00e1s, j\u00e1 manifestados nas poesias \u201cA Noite de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d, \u201cA Can\u00e7\u00e3o do  Jangadeiro\u201d, \u201cCantiga do Violeiro\u201d e outras mais do livro \u201cPrel\u00fadios  Po\u00e9ticos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gon\u00e7alves Dias, estabelecendo conversa\u00e7\u00e3o  com o poeta Juvenal Galeno, convidou-o para participar de um banquete  com todos os membros da Comiss\u00e3o Cientifica de Explora\u00e7\u00e3o, do Senador  Tom\u00e1s Pompeu e de Silva Coutinho em Fortaleza. Juvenal Galeno atendeu de  pronto ao convite do amigo, e em fun\u00e7\u00e3o do evento, deixou de comparecer  \u00e0 uma revista do Batalh\u00e3o da Reserva do Ex\u00e9rcito a que pertencia. Isto  irritou o Comandante da Guarda Nacional de Fortaleza, Jo\u00e3o Ant\u00f4nio  Machado, que em seguida determinou o recolhimento do subalterno \u00e0  pris\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A penalidade lan\u00e7ada a Juvenal Galeno  trouxe como resultado a confec\u00e7\u00e3o de um livro sever\u00edssimo e duro contra o  tal Machado e, esse trabalho ele publicou num volume, o qual deu o  t\u00edtulo de <strong>\u201cA MACHADADA\u201d<\/strong>, aproveitando o simbolismo do sobrenome de Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Machado. Esse livro foi a <strong>primeira obra liter\u00e1ria impressa no Cear\u00e1<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1861, Juvenal Galeno aparece em p\u00fablico  como teatr\u00f3logo. \u00c9 levada \u00e0 cena, pela primeira vez, no Teatro Taliense,  3 de novembro de 1861, a com\u00e9dia de sua autoria intitulada<strong> \u201c QUEM COM FERRO FERE COM FERRO SER\u00c1 FERIDO\u201d<\/strong>. Esse drama sociol\u00f3gico foi a <strong>primeira pe\u00e7a teatral produzida e encenada no Cear\u00e1<\/strong>. Nesse mesmo ano presenteou o p\u00fablico com o poemeto indianista denominado<strong> \u201cA PORANGABA\u201d<\/strong> (descri\u00e7\u00e3o em versos de uma lenda que Juvenal Galeno disse ter ouvido  de um velho caboclo que escutara dos seus pais, e estes a seus maiores).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia de Juvenal Galeno reflete toda a  psicologia da alma da gente humilde, digo da alma da popula\u00e7\u00e3o do  nordeste em todas as modalidades do seu sentir, nos seus lances  heroicos, infelizes ou gloriosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sentimentos, os anseios dessa gente toda, da serra, praias e sert\u00f5es, ele os gravou indelevelmente em seus versos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1865, no pr\u00f3logo de<strong> \u201cLENDAS E CAN\u00c7\u00d5ES POPULARES\u201d <\/strong>(  obra-prima de Juvenal Galeno que foi saudado por Machado de Assis e  outros renomados escritores, o que atesta o valor nacional do vate  montanh\u00eas), ele declarou: \u201c Escrevi este livro acompanhando o povo no  trabalho, no lar, na pol\u00edtica, na vida particular e p\u00fablica, na praia,  na montanha e no sert\u00e3o, onde ouvi os seus cantos e os reproduzi,  ampliei sem desprezar a frase singela, a palavra de seu dialeto, a sua  metrifica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o seu pr\u00f3prio verso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Franklin T\u00e1vora considerou-o n\u00e3o s\u00f3 como  uma obra de arte em que se revelou o g\u00eanio do poeta, mas como  document\u00e1rio precioso devendo \u00a0ser detidamente estudado, podendo se  constituir um guieiro para a indaga\u00e7\u00e3o e pesquisa dos usos, costumes e  tradi\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor e a dedica\u00e7\u00e3o de Juvenal \u00e0s Letras  eram tais, que s\u00f3 aceitava empregos no setor intelectual. Desempenhou as  fun\u00e7\u00f5es de Inspetor Escolar, numa \u00e9poca em que os transportes eram  dif\u00edceis, penosos. \u00a0S\u00f3 havia acesso a certos lugares por meio de  animais, fazendo-se o percurso de l\u00e9guas, debaixo de uma soalheira  causticante de uma escola para outra, tal a dist\u00e2ncia em que ficavam  localizadas. Estradas inteiramente desertas. Contudo ele trabalhava com  prazer e n\u00e3o sentia fadigas, gostava do conv\u00edvio das crian\u00e7as, orientava  as professoras e tanto se fez a esse meio que chegou a compor singelas e  tocantes <strong>\u201cCAN\u00c7\u00d5ES DA ESCOLA\u201d<\/strong>, que foram impressas e  distribu\u00eddas nas escolas para serem cantadas. Esse livro que se esgotou  em poucos dias, consagrou-o, tamb\u00e9m, como <strong>Poeta da Juventude<\/strong>. \u00a0Essa obra foi adotada pelo Conselho de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Cear\u00e1 para uso das aulas prim\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa sua tarefa de Inspetor da Instru\u00e7\u00e3o  P\u00fablica, ele se hospedava sempre em casa do velho pescador Jo\u00e3o Gomes,  homem humilde, casado e com v\u00e1rios filhos, residia em Freixeiras. Numa  destas ocasi\u00f5es, Juvenal ouviu a narra\u00e7\u00e3o dos sofrimentos que assaltaram  inopinadamente o pescador e sua mulher, devidos \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o cruel de  um potentado que, por vingan\u00e7a, aprisionara para o recrutamento militar o  seu genro querido, deixando ao desamparo e na maior dor a esposa e o  filho rec\u00e9m-nascido. Indignado, Juvenal tomou a si, com o entusiasmo que  sentia na defesa das causas justas, retirar Vicente do recrutamento.  Jurou que o conseguiria, afirmou destemido ao velho pescador que  livraria seu genro e retornou logo a Fortaleza para n\u00e3o perder tempo.  Escreveu ent\u00e3o a seu cunhado e amigo Dr. Jos\u00e9 Gon\u00e7alves da Justa, que  ocupava importante cargo no Rio de Janeiro, pedindo-lhe a liberdade de  Vicente como o maior favor que lhe poderia prestar. O poeta era  querid\u00edssimo de toda fam\u00edlia e seu cunhado conseguiu satisfazer-lhe o  pedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspirado nessa verdadeira e altamente  comovedora cena da vida real, escreveu ele o conto intitulado \u201cAMOR DO  C\u00c9U\u201d enfeixado no seu livro <strong>\u201cCENAS POPULARES \u201c<\/strong> editado em 1891.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre <strong>\u201cCenas Populares\u201d <\/strong>disse  Jos\u00e9 de Alencar: \u201c livro t\u00e3o original ainda n\u00e3o se escreveu entre n\u00f3s\u201d.  Ao inv\u00e9s do verso, o autor preferiu a prosa em que descreve lugares,  pessoas, costumes t\u00edpicos de sumo interesse para o folclore em alguns  contos singelos: \u201cOs pescadores\u201d, \u201cDia de feira\u201d, \u201cFolhas secas\u201d, \u201cNoite  de n\u00fapcias\u201d, etc. Esse livro foi o <strong>primeiro livro de conto publicado no Cear\u00e1<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juvenal Galeno montou uma tipografia  expressamente para impress\u00e3o de \u201cLIRA CEARENSE\u201d, livro impresso em  fasc\u00edculos e distribu\u00eddos aos domingos em formato de jornal, com o mesmo  t\u00edtulo, <strong>Lira Cearense<\/strong>, com seu primeiro n\u00famero  circulando a 7 de janeiro de 1872. Fasc\u00edculos depois reunidos em um  volume, dividido em tr\u00eas partes: Lira Popular, Lira Americana e Lira  \u00cdntima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi nomeado em 19 de maio de 1876 terceiro  suplente do Juiz Municipal de Pacatuba. Naquele ano casou-se com sua  vizinha Dona Maria do Carmo Cabral , filha do Comendador Cabral de Melo.  Depois de alguns anos, Juvenal e sua esposa querendo proporcionar uma  melhor educa\u00e7\u00e3o para os tr\u00eas filhos: Jos\u00e9, Ant\u00f4nio e Maria do Carmo,  deixam o s\u00edtio e v\u00e3o morar num sobrado da Vila de Pacatuba. At\u00e9 1886, o  seu domic\u00edlio seria a Vila de Pacatuba, em cujas ruas mantinha um  estabelecimento de lojista. Em 1887 fixa resid\u00eancia em Fortaleza, na Rua  General Sampaio 1128, ali nascendo Jo\u00e3o, Henriqueta e Julinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1887 quando da funda\u00e7\u00e3o a 4 de mar\u00e7o do  Instituto do Cear\u00e1, foi considerado S\u00f3cio Fundador daquela entidade.  Dois anos depois, em \u00a01889 foi nomeado pelo presidente da Prov\u00edncia de  Fortaleza, Caio Prado, para a fun\u00e7\u00e3o de Diretor da Biblioteca P\u00fablica,  ent\u00e3o localizada na Rua Sena Madureira, cargo que ocupou por longos  dezenove anos. Nesta fun\u00e7\u00e3o divertia-se em policiar a leitura dos  estudantes tirando-lhes das m\u00e3os as obras de J\u00falio Verne substituindo-as  pela Hist\u00f3ria de um Bocadinho de P\u00e3o. Juvenal Galeno costumava dizer,  amava aquela reparti\u00e7\u00e3o como se fosse um de seus pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conde D\u201dEu quando por aqui passou antes  da inaugura\u00e7\u00e3o do regime republicano, comparecendo \u00e0 recep\u00e7\u00e3o que lhe  foi oferecida, em pal\u00e1cio, pelo presidente da Prov\u00edncia, foi apresentado  ao nosso poeta. E para espanto da altas figuras ali presentes, o genro  do imperador em voz alta, recitou, naturalmente querendo dar provas de  que j\u00e1 conhecia muitas de suas poesias, algumas estrofes de \u201cO Filho do  Vaqueiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juvenal por algum tempo escreveu no Jornal  \u201cA CONSTITUI\u00c7\u00c3O\u201d, um dos mais lidos no s\u00e9culo XIX, em Fortaleza. Suas  cr\u00f4nicas eram verdadeiras caricaturas dos costumes ent\u00e3o em uso, e  assim, ora em versos tersos e vibrantes, ora em prosa causticante, ele  combatia a torto e direito os v\u00edcios e abusos daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acastelhava-se por identificar o autor, e \u201cA CONSTITUI\u00c7\u00c3O\u201d aumentava a tiragem, esgotando-se, tal era a procura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poeta mostrou-se, nesse g\u00eanero, de uma  verve admir\u00e1vel, e ora en\u00e9rgico e destemido, ora trocista e brincalh\u00e3o,  ia fazendo c\u00f3cegas e irritando aqueles em cuja cabe\u00e7a a carapu\u00e7a t\u00e3o bem  se ajustava. SILVANUS, com sua verve inesgot\u00e1vel, marcou um  acontecimento no mundo social, e ele soube se haver com tal intelig\u00eancia  e habilidade, que n\u00e3o feriu diretamente a este ou aquele. E o sucesso  foi tamanho que, quando o poeta deu por finda a sua publicidade, recebeu  pedidos insistentes para enfeixar em livros aquelas produ\u00e7\u00f5es. A  princ\u00edpio n\u00e3o quis faz\u00ea-lo, mas acabou cedendo, e eis, erecto e altivo o  <strong>\u201cFOLHETINS DE SILVANUS\u201d<\/strong>, editado e descoberto em 1891 para g\u00e1udio de seus numerosos leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFolhetins de Silvanus\u201d \u00e9 uma fina s\u00e1tira dos costumes, h\u00e1bitos, fielmente observados e descritos com um humorismo encantador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte do livro foi escrita em  verso, em que estigmatizava \u00a0o luxo, o pedantismo provinciano, a falsa  ci\u00eancia dos diletantes, em plena Fortaleza do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos setenta e tr\u00eas anos de idade, atacado  de glaucoma, acaba por se aposentar do servi\u00e7o p\u00fablico, j\u00e1  irremediavelmente cego, isso em 1908, passando a viver da aposentadoria,  dos rendimentos pr\u00f3prios auferidos n\u00e3o s\u00f3 da produ\u00e7\u00e3o de seu s\u00edtio como  dos alugu\u00e9is de suas vinte casas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1897, Juvenal Galeno dita \u00e0 sua filha Henriqueta os seus versos de <strong>\u201cMedicina Caseira\u201d<\/strong>, livro somente impresso em 1969, no cinquenten\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o da Casa de Juvenal Galeno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuou a produzir ditando poemas para  sua filha, Henriqueta Galeno, que o assistiu, juntamente com sua esposa,  at\u00e9 o fim da vida. Uma de suas imagens mais conhecidas retratou esse  momento: no sal\u00e3o de sua resid\u00eancia, sentado em uma rede de varandas  bordadas, as barbas alvas e longas, o olhar perdido, e a filha ao lado,  sentada em uma cadeira, a tomar nota dos \u00faltimos versos ditados pelo  grande bardo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 1916, a resid\u00eancia do poeta era  frequentada por intelectuais como Alfredo Castro, Cruz Filho, Leonardo  Mota, M\u00e1rio Linhares, Ant\u00f4nio Furtado, Irineu Filho, Ant\u00f4nio Sales, Jos\u00e9  Albano, Beni Carvalho, Papi J\u00fanior, Sales Campos, Jos\u00e9 Sombra, entre  outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atribui-se \u00e0s irm\u00e3s J\u00falia e Henriqueta  Galeno a ideia de reunir o escol das letras cearenses, nos moldes dos  sal\u00f5es liter\u00e1rios franceses. Por iniciativa delas, a Casa se constituiu  um palco de recitais, palestras, confer\u00eancias, n\u00fameros de canto,  audi\u00e7\u00f5es ao piano, concertos de viol\u00f5es e dan\u00e7as. Tais eventos se  realizavam a prop\u00f3sito de qualquer ocasi\u00e3o: despedidas, homenagens,  anivers\u00e1rio de membros do c\u00edrculo, lan\u00e7amento de livros e recep\u00e7\u00e3o a  visitantes ou intelectuais que tornavam \u00e0 capital cearense, depois de  longa aus\u00eancia. Tudo era motivo para as sess\u00f5es liter\u00e1rias que se  realizavam na Casa de Juvenal Galeno, em presen\u00e7a do velho poeta, que  n\u00e3o tomava parte nas apresenta\u00e7\u00f5es, mas, segundo apontavam, fazia  quest\u00e3o de ouvi-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juvenal Galeno faleceu de uremia em 7 de  mar\u00e7o de 1931, aos noventa e cinco anos de idade, deixando uma volumosa  produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e a Casa que se tornara refer\u00eancia e ponto de  encontro preferido de intelectuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><strong>Casa de Juvenal Galeno<\/strong><br \/>Rua General Sampaio, 1128 &#8211; Centro<br \/>CEP: 60020-030 &#8211; Fortaleza &#8211; CE<\/p>\n<p>Aberta ao p\u00fablico de segunda-feira a sexta-feira, das 8 \u00e0s 17 horas. Acesso gratuito<\/p>\n<p>Contatos:<br \/>(85) 3252.3561<br \/>www.casadejuvenalgaleno.com.br<br \/>bibliocjg.monteiro@gmail.com<br \/>academiadeletrasjuvenalgaleno.blogspot.com.br<br \/>alafemininacjg.blogspot.com.br<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juvenal Galeno &#8211; (1836-1931) Neto de Albano da Costa dos Anjos e do portugu\u00eas Manuel Jos\u00e9 The\u00f3philo, Juvenal Galeno da Costa e Silva nasceu em Fortaleza, a 27 de setembro de 1836, em uma resid\u00eancia na Rua Formosa, n\u00ba 66 (hoje Bar\u00e3o do Rio Branco). 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