Regime de colaboração e foco na aprendizagem são principais fatores para resultado positivo do Ceará no Ideb

Os bons resultados da rede pública cearense no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2019 foram debatidos no Seminário Virtual de Apropriação dos Resultados Saeb/Ideb 2019, realizado na última quinta e sexta-feira (dias 17 e 18). Entre os principais fatores apontados para a conquista estão o regime de colaboração entre estado e municípios e o foco na aprendizagem.
Ao todo, 1.867 escolas cearenses atingiram a meta no Ideb 2019 nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o que representa 84% da rede. Em relação aos anos finais desta mesma etapa, 1.270 escolas alcançaram o resultado estipulado, caracterizando 69% do total. No Ensino Médio, 471 escolas conseguiram bater o objetivo, simbolizando 78% da rede.
A secretária da Educação, Eliana Estrela, ressalta o trabalho desenvolvido de forma conjunta entre estado e municípios, por meio do regime de colaboração, fazendo com que o crescimento se dê em todos os níveis de ensino.
“É muito bonito ver as escolas vibrando pela meta atingida. Traz uma energia positiva, um clima escolar favorável. O nosso desafio permanece, mas o resultado nos dá a noção de que estamos cumprindo o nosso dever. Não só pelo ranking, mas, por saber que estamos proporcionando aos nossos jovens e crianças a aprendizagem na idade certa, para que tenham uma vida mais justa e digna. O Ceará é um estado pobre, mas que tem uma política prioritária para a educação”, pontua.
Amadurecimento
O secretário executivo do Ensino Médio e Profissional, Rogers Mendes, pondera que a melhora do Ensino Médio tem a ver com o foco na aprendizagem que as escolas têm dado, mas também, com a mudança do perfil acadêmico do aluno que conclui o Ensino Fundamental. “Mais do que nunca, vamos precisar utilizar a nosso favor o amadurecimento da cooperação ao longo dos últimos anos, para fazer com que uma etapa reverbere na outra, num processo de sintonia. A gente entende que é preciso dar o passo adiante. Os resultados podem e precisam melhorar cada vez mais. Temos já uma responsabilidade, porque o Brasil inteiro olha para o Ceará”, destaca.

O secretário executivo de Cooperação com os Municípios, Márcio Brito, lembra que os números absolutos, apesar de positivos, não representam a questão prioritária, mas sim, a promoção da equidade que vem se realizando. “Isso é mais evidente no Ceará do que em outros estados. Em todos os municípios e em todas as escolas, estamos conseguindo que aqueles que historicamente ficavam em posição mais baixa de aprendizagem, consigam acompanhar aqueles que ao longo do tempo conseguem níveis mais altos. Isso não é mera coincidência, mas, fruto de muito trabalho”, argumenta.
A presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) – secção Ceará, Luiza Aurélia Costa, salienta que existe grande potencial na educação cearense. “Estamos mostrando a todo o Brasil que é possível, mesmo com poucos recursos e muitas dificuldades, tendo determinação, boa vontade e comprometimento da gestão, conseguir resultados bons na educação, que irão transformar a vida da nossa população. Não é fácil manter um indicador ou crescer. É preciso existirem políticas públicas sólidas”, defende.
O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, lembra que o estado vem superando a média nacional do Ideb desde 2015, obtendo superações a cada edição do Índice. “É impressionante que numa sociedade tão desigual e injusta como a brasileira, o Ceará seja estado de referência quanto à qualidade da educação pública. Não se trata de posição de ranking, mas de ser referência, o que tem a ver com determinação, resiliência e prioridade efetiva à educação. É o resultado de anos de dedicação, visão e de foco”, explica.